O último trecho do revezamento da tocha olímpica pelas ruas de Paris foi cancelado, encerrando o dia turbulento da passagem do fogo pela capital francesa. Ao longo do dia, a cidade assistiu a manifestações e protestos pró-Tibete, que fizeram a organização mudar o percurso, alterar o cronograma e até apagar o a tocha, por quatro vezes, por questões de segurança.

Um forte esquema montado pela organização do evento, com 3 mil policiais destacados para evitarem tumulto, não adiantou. Pelo menos dois ativistas chegaram a menos de um metro de distância da tocha, antes de serem detidos. Números preliminares estimam em 28 o número de detenções na capital francesa. Em Londres, no domingo, foram 37.

Os protestos começaram logo no início do revezamento. Às margens do Rio Sena, uma multidão com bandeiras do Tibete em punho esperava a passagem da tocha. Temerosa quanto à segurança, a organização apagou o fogo pela primeira vez, colocou a tocha em um ônibus e continuou o percurso. Até os atletas protestaram – parte deles usava um broche pedindo paz na região.

Menos de uma hora depois, a tocha foi apagada pela segunda vez, quando manifestantes se aproximaram do fogo, com vaias e gritos em favor do Tibete – que está em conflito com a China, sede da Olimpíada em agosto.

A terceira interrupção também foi causada por razões de segurança. Recolocada no ônibus, a tocha foi alvo de novos protestos. O veículo foi atingido por garrafas, copos e até pedaços de pão.

Depois que um homem tentou apagar o fogo com um extintor de incêndio – algo que já havia acontecido em Londres, no domingo – a organização apagou a tocha pela quarta vez e decidiu pelo cancelamento do trecho final.