Foto: Valquir Aureliano

O técnico Zetti não quis entrar na provocação do adversário.

O clássico desta tarde – às 16h, na Vila Capanema – coloca frente a frente os dois principais clubes do futebol paranaense, no momento.

Se não vale ?um título?, o duelo serve como termômetro para suas comissões técnicas medirem a real capacidade de seus elencos, que vêm de bons resultados não só no estadual como também nas copas Libertadores e do Brasil. Paraná Clube e Atlético sequer têm a possibilidade de assumir, hoje, a ponta do campeonato paranaense, mas o tira-teima é o prato principal da 13.ª rodada do torneio e o grande jogo da competição, até aqui.

O Paraná entra em campo com o status de único representante do Estado na Libertadores da América. O técnico Zetti manda a campo a força máxima do Tricolor e não esconde que o objetivo é encurtar a distância para o AdapGalo, líder do paranaense. ?Temos um confronto direto na última rodada. Ainda dá para buscar a liderança?, sentenciou o treinador, preferindo não comentar as recentes declarações de Vadão, que ?pôs pimenta?, no clássico. O técnico do Atlético, em tom de desabafo, ironizou o suposto cansaço do Tricolor, que hoje disputa o quarto jogo em apenas oito dias.

Foto: Valquir Aureliano

Mas Vadão abriu o verbo nas entrevistas durante a semana.

?Já estão fazendo o Paraná de vítima antes do jogo. Então, não tem como negar o nosso favoritismo?, disparou Osvaldo Alvarez. A declaração do comandante rubro-negro pegou jogadores e integrantes da comissão técnica paranista de surpresa, mas todos evitaram comentários sobre o tema. ?Não tenho nada a dizer. Só posso assegurar que no clube ninguém reclamou de cansaço?, afirmou Zetti, saindo pela tangente de qualquer polêmica. ?Uso muito a palavra planejamento. E, pela forma como conduzimos a seqüência de jogos pelo estadual e pela Libertadores, nossos jogadores estão bem física e tecnicamente?, disse o treinador paranista. Provocações à parte, o clássico tem todos os ingredientes para mexer com tricolores e rubro-negros.

Paraná com força máxima no ?tira-teima?

Foto: Valquir Aureliano

Joelson ganha vaga e quer confirmar o bom momento no clássico.

O clássico pode não ter o charme da Libertadores, nem mesmo define o futuro das equipes no estadual. Mas, para o técnico Zetti, o jogo de hoje é como ?uma final de campeonato?. É nesse clima que o Paraná Clube entra em campo, com sua força máxima. Para manter o embalo e ?carimbar? a quinta vitória seguida em apenas doze dias – entre as competições local e internacional -, o treinador confirmou a volta de Neguete à zaga e a efetivação de Joelson no meio-de-campo. A única dúvida é se Dinelson estará em campo.

O meia, mesmo com o tornozelo direito inchado, participou de parte do apronto de ontem pela manhã. Zetti trabalhou apenas o posicionamento da equipe e Dinelson sequer foi liberado para o ?rachão?. Principal referência da equipe na temporada, o baixinho será reavaliado hoje pelos médicos. ?Não vamos correr riscos. Ele jogará apenas se estiver sem dor?, antecipou o treinador paranista, que não confirmou um eventual substituto. ?Caso ele não possa jogar, terei que mexer na estrutura do time?, disse Zetti, deixando no ar duas opções: o atacante Lima ou o volante Goiano.

Dinelson, se liberado, sabe que teria pela frente um ?velho conhecido?. O meia relembrou alguns duelos que travou com Alan Bahia. ?Ele é um volante rápido e que dá poucos espaços?, disse. O jogador, mesmo sem saber se estará em campo ou na arquibancada, não esconde a alegria com o bom momento. ?Só tive uma condição como essa no Guarani. O ambiente é muito bom e faz a gente treinar com muita alegria. Isso, aliado a raça e talento, é o segredo para um grupo vencedor?, comentou Dinelson.

O bom ambiente do tricolor está intimamente ligado à forma com que Zetti conduziu a reformulação do elenco, que hoje conta com quarenta atletas (inclusive com a presença de atletas das categorias de base). Evitando rótulos – como os de time A ou B -, o treinador deu unidade ao grupo e resgatou atletas como Joelson, agora titular do time. ?O Henrique está machucado e estou tendo a chance. Não vou decepcionar?, disse o meia, animado com os dois gols que marcou na última quinta-feira, frente ao Roma.

Para o treinador, não foram os gols que determinaram a escalação de Joelson nesse clássico, mas a sua seqüência de treinos e jogos. ?Há tempos ele vem entrando bem. O Joelson achou seu espaço em campo?, avaliou Zetti. O treinador confirmou ainda a volta de André Luiz, recuperado das dores musculares que o tiraram do jogo contra o Iguaçu, e a entrada de Neguete, na zaga. O xerifão volta e faz apenas o seu segundo jogo neste campeonato paranaense.

Boa fase do adversário motiva Atlético

Cahuê Miranda

Foto: Fábio Alexandre

Recuperado, Alan Bahia foi confirmado ontem como titular.

Além de um clássico cercado de expectativa e da disputa por uma melhor posição na tabela de classificação do paranaense, o Atlético entra em campo hoje para enfrentar seu principal teste na temporada 2007. Pela primeira vez no ano, o rubro-negro vai encarar um de seus adversários no Brasileirão. Além disso, a campanha do Paraná na Libertadores dá uma motivação ainda maior para o Furacão.

Com 19 pontos, o Atlético está na quinta posição do estadual, apenas dois pontos atrás do tricolor, que está em terceiro. ?Esperamos uma vitória para passar à frente deles na tabela. É um adversário que, por estar na primeira divisão e na Libertadores, vai ser um desafio muito grande. Vamos tentar surpreende-los?, diz o zagueiro Danilo.

Todos no elenco rubro-negro reconhecem a qualidade do tricolor, mas os jogadores preferem não entrar em polêmicas quando perguntados se o desafio de hoje será o mais difícil da temporada até agora. ?Para mim, todos os times que enfrentamos são difíceis. Vamos tratar de fazer um bom jogo e conseguir uma vitória, que nos permitirá alcançar uma boa classificação?, afirma o meia Ferreira.

Após uma semana inteira se preparando para o clássico, a expectativa em relação ao futebol do Furacão é grande. Mas o técnico Vadão avisa que a atitude será o fator decisivo para o desempenho da equipe. ?O ponto crucial é jogar bem. Podemos trabalhar a semana inteira, mas se chegar lá e o time não estiver ligado, não adianta nada?, alerta.

Vadão vai contar com força máxima esta tarde. O volante Alan Bahia, que era dúvida, está recuperado de uma pancada no tornozelo e confirmado no meio-campo. Em relação ao time que goleou o Engenheiro Beltrão por 4 a 1, na última rodada, a única mudança é a entrada de Erandir no lugar de Marcelo Silva, que está deixando o rubro-negro.

Supremacia na Vila

Mesmo jogando na casa do tricolor, o Atlético tem o retrospecto como aliado esta tarde. Até agora, os rivais já disputaram quatro clássicos na Vila Capanema, com quatro vitórias do Furacão e apenas uma do Paraná.

Mesmo no triunfo adversário, com goleada por 4 a 1, quem saiu comemorando foi a torcida rubro-negra. Após ter vencido por 6 a 1 na Baixada, o resultado garantiu ao Furacão o título estadual de 2002.

Vadão também tem boas lembranças do confronto. Nas oito vezes que enfrentou o tricolor como técnico do time da Baixada, ele conseguiu cinco vitórias, dois empates e uma derrota. No último duelo, pelo Brasileirão 2006, o Furacão goleou por 4 a 0, com direito a gol de placa de Denis Marques.

CAMPEONATO PARANAENSE

1ª FASE – 13ª RODADA

PARANÁ CLUBE x ATLÉTICO

PARANÁ

Flávio; André Luiz, Daniel Marques, Neguete e Egídio; Xaves, Beto, Gérson e Dinelson (Lima ou Goiano); Joelson e Josiel.

Técnico: Zetti.

ATLÉTICO

Cléber; Jancarlos, Danilo, Marcão e Michel; Erandir, Alan Bahia, Evandro e Ferreira; Alex Mineiro e Denis Marques.

Técnico: Oswaldo Alvarez.

Local: Durival Britto (Curitiba).

Horário: 16h.

Árbitro: Evandro Rogério Roman.

Assistentes: José Amilton Pontarolo e Altair Luiz Daghetti.