São Paulo – Todo mundo conhece a dupla dinâmica. Batman e Robin sempre se entendem muito bem, por vezes bastando apenas um olhar para um saber o que o outro está querendo dizer.

René e Marcus Melo (Chevrolet Rally Team) têm a qualidade e a vantagem de agir desta forma. E quem não se lembra do engraçado desenho da Família Buscapé, com a mãe carregando tudo e todos na velha carroça da família e sempre buscando apoiar e ajudar seus membros. Os dois piloto, também “carregam” a família por onde passa a caravana do rally e também as velas no mar azul.

Formar uma dupla em rali por 14 anos, alguns já fizeram, mas Renê e Marcus Melo tem muito mais coisas em comum. Já faziam provas de enduro de moto juntos, onde ganhavam tudo, antes de se aventurarem no jipe, velejam juntos desde crianças e são irmãos. “Isso nos dá uma vantagem muito grande, que é o entrosamento. Quando o Marcus fala alguma coisa durante a prova, é facilmente entendido, pelo conhecimento que um tem do outro”, comenta René, que nesta temporada está conduzindo pela primeira vez uma picape S10. Marcus, o navegador, complementa que “a gente tem a vantagem de conversar a qualquer hora sobre o carro, as estratégias, as soluções e tudo que envolve uma prova”.

Renê Melo, piloto, conta que comprou o primeiro jipe em 1989, quando a mãe pediu que ele largasse a moto, após ver um acidente com um veículo parecido com o seu. Ele foi a uma loja de um conhecido para comprar peças e recebeu o primeiro convite para participar de um raid de jipe. Esse amigo deu as primeiras informações sobre navegação, que eles nunca tinham ouvido falar – e o irmão Marcus tornou-se o co-piloto por um motivo simples: não podia dirigir, pois tinha apenas 17 anos de idade.

Desde então, a dupla não parou mais de competir. Porém, em 1993, Marcus falou que se não fosse para levar a sério, era melhor parar com isso. A partir de então, começaram a competir para valer, onde venceram tudo o que podiam, como o Raid da Meia-Noite.

Em 1997 começam no Cross Country e partem para uma carreira de vitórias, vencendo por duas vezes o Rally dos Sertões e o Brasileiro de Rally de Cross Country, em 2001 e 2002, além de serem bi-campeões no Paulista de Rally Cross Country em 2002 e 2003, sempre na categoria Production. Agora, em 2004, a nova dupla do Chevrolet Rally Team foi promovida para a categoria Protótipos.

Além de irmãos, os dois são vizinhos e casaram-se, também, com duas irmãs. Para não ficarem parados entre uma prova e outra do Brasileiro de Cross Country, eles fazem algumas corridas de Enduro de Moto, que, segundo Renê, “o Marcus leva todas. Eu estou indo agora, para acompanhar meu filho, de 16 anos, que já começou a correr”. Marcus tem outra visão sobre isso: “As provas de Enduro que participamos, servem, também, como um treinamento de navegação, pois é o que você faz o tempo todo, e ali é só você e a moto. Talvez aí, realmente eu leve vantagem sobre o Renê”.

Ainda velejam juntos, como há anos, onde Renê é o timoneiro e Marcus o tático. “Até aqui ele manda em tudo. Aliás, ele é mandão também fora das provas, mas isso não afeta nosso relacionamento”, relembra Renê, o piloto. “Essa história de mandão é ele que conta. Mas uma coisa é certa, o “culpado” por essa outra paixão é o “Seo Silvino”, nosso pai, que até hoje prefere o mar à terra”, contrapõe o irmão. Este ano eles devem fazer pelo menos duas provas de vela: a Semana de Vela de Ilha Bela e a Travessia Recife-Noronha, onde o pai deve acompanhar em um catamarã. Para Marcus, esta travessia requer um planejamento especial.

Essa é outra faceta na vida destes dois esportistas: a família. Nas provas de Cross Country, todos os pilotos, ou pelo menos a grande maioria, conhece Dona Heloisa, “a mãezona do rali”, e o seu cantinho. A mãe tem um motor home para acompanhar todas as provas dos filhos durante o campeonato e faz disso uma festa. Promove churrascos, auxilia pilotos que estejam com frio ou com falta de carinho, por exemplo, e seu trailer virou o ponto de encontro das provas. “O hobbie dela é correr a caravana do rali atrás dos filhos e isso é muito legal”, comentam os dois. “Em algumas provas, as nossas esposas também vão e essa é outra vantagem que a gente tem. Nós temos o apoio de todos e com isso nos sentimos muito mais amparados”, complementam.

Voltando à família, o pai, após a travessia Recife-Noronha, deve ficar por lá, aprontando seu barco para realizar a travessia do Atlântico de catamarã, já no início do próximo ano. “Essa é uma família que se aventura unida, dentro e fora das pistas ou do mar, e isso não tem coisa no mundo que paga”, finalizam.