Rio de Janeiro  – Adversários tradicionais e eternos rivais dentro de campo, Vasco e Flamengo se enfrentam às 16h, no Maracanã, na primeira partida da decisão do campeonato carioca, buscando resgatar o charme desse torneio, tão combalido e criticado nos últimos anos.

Dribles desconcertantes, emoção e garra a cada disputa de bola são ingredientes indispensáveis para atrair o público amante do seu clube de coração e do futebol bem praticado. E se depender dos jogadores e dos técnicos dos times, os torcedores terão o prazer e a oportunidade de reviverem as finais áureas de épocas passadas, repletas de jogadores consagrados e com lances inesquecíveis, no tradicional campeonato do Rio.

Então, promessa de estádio lotado. “Espero que a torcida compareça em massa. O espetáculo vai ser bonito e os dois times têm muita qualidade. Não há favoritos”, disse o técnico rubro-negro, Abel Braga. Do lado vascaíno, o treinador Geninho concordou e, em seguida, lembrou que a conquista do Estadual enaltecerá o trabalhado de todos, “dos roupeiros até o presidente do clube”. “Será muito importante. Já passei isso aos atletas e espero vencer. Mas respeito bastante a equipe do Flamengo.”

Os meias Beto, maior esperança da torcida vascaína, e Felipe, craque do Flamengo e do estadual, possuem histórias interessantes, e que aquecem ainda mais a rivalidade entre os dois clubes. Ambos os atletas já viveram épocas de glória e de dissabor atuando na equipe adversária.

Em 1997, o então lateral-esquerdo Felipe foi um dos responsáveis pela conquista do campeonato brasileiro, atuando pelo Vasco. Mas, em 2001, ele se indispôs com a comissão técnica e com o dirigente Eurico Miranda por não aceitar mais atuar na lateral. Saiu do clube e passou por Palmeiras, Atlético Mineiro e Galatasaray (Turquia).

Beto viveu dilema parecido. Boêmio confesso, ele ajudou o Flamengo a conquistar o tri-campeonato estadual, em 2001, contra o arqui-rival. Na ocasião, o atleta, após o apito final do árbitro Léo Feldman, foi comemorar o título junto a torcida do Vasco. Revoltados, os jogadores adversários partiram em direção dele e por pouco não houve briga generalizada. Mais tarde, Beto saiu do rubro-negro por causa de salários atrasados e por problemas fora de campo, que afetavam o desempenho do atleta nos treinos e nas partidas.

Durante a semana, Abel Braga resolveu alterar o esquema tático do Flamengo. Substituiu o atacante Diogo pelo volante Douglas Silva, ex-jogador do Atlético. Com isso, atuará com dois volantes e colocará Felipe no ataque ao lado de Jean. A explicação foi dada pelo técnico. “O Vasco é uma equipe perigosa nos contra-ataques. Além disso, o primeiro jogo não define nada, não posso me expor. Mas o time não será defensivo”, disse. Para a final, o treinador poderá contar com Jean e Zinho, recuperados de lesão.

Em São Januário, a ordem é esquecer a eliminação precoce na Copa do Brasil para o XV de Campo Bom e tentar derrotar o Flamengo, se possível, com uma atuação convincente, para afastar de vez com os rumores de crise. O zagueiro Henrique e o meia Róbson Luiz estão machucados mas, pelo discurso de ambos os jogadores, devem jogar. Caso sejam vetados pelos médicos do clube, Fabiano ou Santiago será o companheiro de Wescley na defesa e Cadu entrará para compor o meio-de-campo.

“Jogo mesmo que seja sentindo dor”, afirmou Henrique. “Quero jogar de qualquer maneira. O joelho não dói mais como na quarta-feira (dia da partida contra o XV)”, concluiu Róbson Luiz. É com esse entusiasmo que uma partida entre Vasco e Flamengo pode ser decidida, principalmente numa final.

Ficha Técnica

Flamengo:

Júlio César; Rafael, Henrique, Fabiano Eller e Roger; Da Silva, Douglas Silva, Ibson e Zinho; Felipe e Jean. Técnico: Abel Braga.

Vasco: Fábio

; Claudemir, Wescley, Henrique (Santiago ou Fabiano), Victor Boleta; Coutinho, Ygor, Rodrigo Souto e Beto; Róbson Luiz (Cadu) e Valdir. Técnico: Geninho.

Local:

Maracanã. Horário: 16h. Árbitro: Luiz Antônio Silva Santos.