Sem qualquer alarde uma página do futebol paranaense foi encerrada no dia 4 de agosto de 2006.

Após 42 anos de ininterrupta participação no Campeonato Paranaense (um recorde do interior), o União Bandeirante encerrou suas atividades, alegando dificuldades financeiras.

A FPF – Federação Paranaense de Futebol só foi comunicada da desistência em dezembro, mas a saída era esperada desde 2005.

O primeiro sinal veio com o afastamento (por problemas de saúde) do patriarca, Serafim Meneghel, do comando da Usina Bandeirante, a mantenedora do clube.

Meneghel, celebrado por um vasto folclore no interior, fundou o União em 1964 e, desde então, a história de criador e criatura se confundiram. O alvinegro obteve cinco vice-campeonatos estaduais (1966/69/71/89/92) e mostrou sangue na despedida, este ano: venceu o Coritiba, por 1 a 0, no Estádio Luís Meneghel.

Entre as décadas de 1960 e 1970, o União revelou a ?dupla caipira? Tião Abatiá e Paquito (ídolos também no Coritiba) e alimentou polêmicas envolvendo seu presidente. Reza o anedotário de Bandeirante que, certa vez, Meneghel, com seu inseparável chapelão, invadiu o gramado e ?convenceu? o árbitro a trocar o pênalti que favorecia o visitante Seleto de Paranaguá por um tiro de meta para o time da casa.

Se a história acima é fato ou lenda pouco importa.

O fim do União Bandeirante encerra uma era em que o futebol do interior pertencia a uma cidade, à gente daquela cidade, ao folclore daquela cidade.