Com os sucessivos fiascos do meu combalido Mengão, ganhei uma fama, às vezes injustificada, de pé-frio. Meus colegas de Redação temem que essa maldição se estenda também ao meu segundo time, a Seleção Brasileira. Felizmente, por enquanto, os resultados do Brasil na Copa têm desmentido as insinuações maldosas de meus detratores.

O Brasil está longe de apresentar um futebol perfeito, mas vem evoluindo. Enquanto a zaga continua uma peneira, o ataque já demonstra eficiência. Os retranqueiros de plantão defendem a adoção do 4-4-2, alegando que uma linha de quatro defensores seria mais eficaz. Só que, com laterais recuados, perderíamos poder ofensivo. Então o problema não está no esquema, mas nos jogadores.

Estou otimista, mas não quero entrar no clima de já-ganhou. Na final de 98, o Brasil chegou como favorito e deu no que deu. Com humildade e sem “salto alto”, o sonho do penta poderá até virar realidade.

Temos a nosso favor um nivelamento das equipes. Quem poderia imaginar que Coréia do Sul e EUA poderiam avançar para as oitavas, desclassificando nossos irmãos portugueses e a Polônia? Ou que a França seria eliminada por uma ex-colônia? Temos que rever conceitos como o de “favorito” e de “zebra”.

Nossos vizinhos argentinos também estão fora. Sentiremos falta da rivalidade regional. A Argentina é uma espécie de Vasco da América do Sul. Das grandes forças do futebol mundial, apenas Inglaterra, Alemanha e Itália podem ser obstáculos em nossa jornada rumo ao penta. Isso se passarmos pela Bélgica. Se cairmos, então até eu acreditarei que sou pé-frio.

Ari Silveira

é chefe de Reportagem de O Estado