Travis Tygart, presidente da Agência Antidoping dos Estados Unidos (Usada, na sigla em inglês), acusou nesta quarta-feira a União Ciclística Internacional de atrapalhar as investigações que levaram à suspensão definitiva de Lance Armstrong. A Usada foi a responsável pelo extenso e decisivo relatório que gerou o banimento do ciclista norte-americano.

“A UCI tentava a todo mundo obstruir nossos esforços de revelar a verdade”, acusou o dirigente, que voltou a questionar a conduta da entidade máxima do ciclismo mundial. Há duas semanas, o jornal francês Le Monde publicou documento em que revela que a UCI teria encoberto exame antidoping positivo de Armstrong na Volta da França de 1999.

Na avaliação de Tygart, a conduta da UCI mostra que as agências antidoping devem ter “verdadeira independência” para evitar conflitos de interesses dentro do esporte. Segundo o presidente, a Usada conseguiu cumprir sua tarefa de descobrir o caso de doping de Armstrong “porque não tem conflito nas suas atribuições”, sem envolver “fatores comerciais, como compromissos de patrocinadores, proprietários ou investidores”.

O presidente da Usada pediu maior cooperação internacional para coibir novos casos de doping. “Aqueles que enganam o esporte por meio de substâncias ilegais não se deixam afetar pelas fronteiras. Alguns atletas dos Estados Unidos vão para a Espanha, por exemplo, para viver, treinar e se dopar, principalmente em áreas onde pensam que não serão abordados ou que têm menos chances de serem submetidos a investigações”, declarou.

À frente da Usada, Tygart foi o responsável pelo extenso relatório que detalhou o elaborado sistema de doping perpetrado por Armstrong no auge de sua carreira. Condenado, mesmo sem testes positivos, o americano foi banido do esporte e teve cassados seus sete títulos da Volta da França e sua medalha olímpica. Há poucas semanas, o ciclista confessou o doping em rede nacional, em entrevista à apresentadora Oprah Winfrey.