São Paulo – A revanche contra o São Paulo, amanhã à noite, no Estádio do Morumbi, pode ser o penúltimo jogo do Palmeiras sob o comando de Paulo Bonamigo. Os números inexpressivos do time sob o seu comando já colocam o futuro do treinador em xeque. Se o Palmeiras for eliminado da Copa Libertadores e sofrer novo revés no próximo jogo do Campeonato Brasileiro, domingo, contra o Santos, no Parque Antártica, a diretoria deve trocar mais uma vez de técnico.

A pressão contra o trabalho de Bonamigo ganhou proporções assustadoras após a derrota para o Cruzeiro, no Mineirão. Ontem à tarde, o movimento de conselheiros contrários à permanência do técnico no clube também foi espantoso. O treinador foi acusado de retranqueiro pela grande maioria. Ninguém se conforma com o fato de o Palmeiras ter jogado com três volantes e três zagueiros em Belo Horizonte. Até as substituições (Correa por Francis; Washington por Osmar e Nen por Warley) foram criticadas.

Os números também conspiram contra Bonamigo. Nos últimos cinco jogos, o Palmeiras perdeu quatro (Coritiba fora; Paraná em casa; São Paulo em casa e Cruzeiro fora) e empatou um (Cerro Porteño, em casa). Pior: nos cinco jogos, o ataque só marcou uma vez. E os jogadores que eram vistos como a grande esperança de vitória – Marcinho, Washington e Juninho Paulista – não conseguiram jogar nas mãos do sucessor de Candinho.

Apesar da enorme pressão contra o treinador, o presidente Affonso Della Monica entende que ainda não é o momento para trocar o comando da equipe. Bonamigo, porém, já balança, e pode perder o cargo se o time não reagir nos próximos dois jogos (São Paulo e Santos). Nos bastidores, não são poucos os conselheiros que vêm defendendo a volta de Estevam Soares.

Estes entendem que os números de Estevam foram excelentes. Com um time inferior, chegou às semifinais do Campeonato Paulista e ainda recolocou o Palmeiras na Copa Libertadores. Na prática, porém, o retorno do ex-treinador é praticamente impossível, já que Estevam foi uma aposta pessoal do ex-presidente Mustafá Contursi que – de uma certa forma – deu certo.

Os jogadores também perceberam que a situação alcançou níveis preocupantes. Na volta a São Paulo, ontem, Bonamigo não quis falar com a imprensa. E os jogadores optaram por um discurso ensaiado. Marcinho e Juninho Paulista surpreenderam ao dizer que o jogo de domingo foi igual. E que o Palmeiras chegou a dominar o Cruzeiro.

Só não conseguiram explicar por que o ataque marcou apenas um gol nos últimos cinco jogos. ?Essa é uma pergunta difícil. A bola está chegando, mas não estamos sendo felizes nas conclusões?, observa Washington.

Por mais incrível que possa parecer, apesar da campanha pífia e da enorme pressão que o grupo enfrenta, o jogo de amanhã, contra o São Paulo, é visto como uma dádiva pelos palmeirenses. ?Graças a Deus que temos o São Paulo pela frente. Pelo menos a gente sabe que uma vitória apaga tudo?, lembra Marcinho.

Tricolor descarta favoritismo

São Paulo – Apesar de constar de todos os dicionários da Língua Portuguesa, o termo favoritismo é ignorado pelos jogadores do São Paulo, que garantem enfrentar o Palmeiras, amanhã, pela Taça Libertadores, no Morumbi, com a máxima seriedade possível. ?Num clássico decisivo, tudo pode acontecer?, advertiu o meia Danilo. ?Precisamos ter concentração e humildade, porque sabemos da nossa responsabilidade e da importância desse jogo.?

Teoricamente, o time de Paulo Autuori precisa empatar para ficar com a vaga nas quartas-de-final, depois da vitória por 1 a 0, no Palestra Itália. Mas os são-paulinos garantem que não entrarão em campo pensando na vantagem conquistada no primeiro duelo. ?Não podemos mudar nossas características?, comenta Danilo. ?Temos de valorizar a posse de bola, mas não apenas nos defendermos, se não podemos sofrer um gol.?

Entretanto, a produção ofensiva favorece os tricolores. Enquanto o São Paulo só não fez gols em um dos 31 jogos este ano – no 0 a 0 contra o Santos, que valeu o título estadual -, o Palmeiras não balança as redes com bola rolando há quatro jogos. ?É nosso ponto forte, mas não podemos errar como no jogo contra o Vasco: se as chances aparecerem, temos de concluir?, afirma Danilo. ?Mas o Palmeiras é muiro rápido do meio-campo para a frente. Precisamos marcar bem para não sermos surpreendidos.?

O zagueiro Lugano, livre de suspensão, além do lateral-esquerdo Júnior e dos atacantes Grafite e Luizão, poupados na derrota para o Vasco, domingo, voltam à equipe. Luizão tirou os pontos do corte no rosto, sofrido no jogo contra o Coritiba, e Grafite está recuperado da lesão na perna direita. ?Não sinto dores, vamos esperar o treino de amanhã (hoje)?, disse. O técnico Paulo Autuori também terá o zagueiro Edcarlos, o lateral Fábio Santos e o atacante Diego Tardelli, que se apresentam definitivamente à seleção sub-20 na quinta-feira.