O Coritiba foi fundado em 1909 e o Atlético, fruto da fusão entre o Internacional e o Água Verde, surgiu em 1924. Em 80 anos de confrontos entre as duas maiores potências do futebol paranaense, entretanto, em apenas dez oportunidades a final estadual foi disputada entre a dupla Atletiba. Nesses confrontos, o Atlético levou a melhor em seis oportunidades, contra quatro do Coritiba. Nas últimas quatro decisões, em 2000, 98, 90 e 83, o Rubro-negro levou a melhor. A última conquista Alviverde sobre o seu rival mais tradicional aconteceu em 1978, ou seja, há 25 anos.

Na última final entre a dupla, em 2000, o Coritiba viu o título escapar pelas mãos nos minutos finais da última partida, quando o zagueiro Gustavo marcou um gol de cabeça no gol de entrada da Arena, adiando o sonho coxa-branca. Naquele ano, o Atlético estava envolvido na disputa de sua primeira Copa Libertadores da América e optou por escalar uma equipe B na maior parte dos jogos do estadual, e mesmo assim acabou a primeira fase em primeiro lugar. Apesar de ser o segundo time do Atlético, o “Ventania”, como ficou conhecido, contava com promessas como o lateral-esquerdo Fabiano e o meia Kléberson, que dois anos depois sagrou-se pentacampeão mundial com a camisa da seleção brasileira.

A boa campanha na fase classificatória fez com que o Rubro-negro chegasse à final com a vantagem de sagrar-se campeão com dois empates contra o Coritiba, que na semifinal eliminara o Rio Branco.

No primeiro jogo, no Alto da Glória, o Atlético conseguiu arrancar um empate em 1 a 1 e ficou a um empate do título. Mas, lutador, o Coritiba surpreendeu na Arena e mesmo com dez jogadores em campo fez 1 a 0. Entretanto, quando os coxa já estavam com a mão na taça, Gustavo apareceu para garantir o empate e acabar com a festa alviverde.

Jogos históricos entre a dupla, todos com mística

A primeira decisão entre a dupla Atletiba numa final demorou a acontecer. Foi em 1941 e o Coritiba levou a melhor. O Rubro-negro conquistou o primeiro turno e o Coxa o segundo, com três pontos a mais. Na disputa final, o Alviverde venceu os dois jogos, por 3 a 1 e 1 a 0. O herói do último jogo foi Neno, autor do gol do título e artilheiro do campeonato com 19 gols.

O troco do Atlético veio no campeonato de 43, cujas finais foram disputadas em janeiro de 44. No primeiro jogo, na casa dos coxas, o Atlético venceu por 3 a 2 e no jogo de volta, emocionante, o Atlético saiu na frente, o Coritiba virou, mas o Rubro-negro deu o troco e fechou o placar em 3 a 2.

Em 45, mais uma vez a dupla Atletiba se encontrou numa decisão e novamente o Atlético levou a melhor, numa apertada disputa. No primeiro jogo deu Coxa, no segundo Atlético e o terceiro terminou empatado. Na prorrogação, o Atlético se deu bem e ficou com o título. Neste ano, pela primeira vez nas decisões de Atletibas, as diretorias exigiram arbitragem de fora.

O novo encontro entre os arqui-rivais aconteceu apenas em 68, quando o presidente atleticano Jofre Cabral e Silva, que faleceu dias antes da final, decidiu ousar e trouxe quatro bicampeões mundiais em 62: Djalma Santos, Belini, Dorval e Zequinha, além do artilheiro Zé Roberto.Com um grande time, o Atlético chegou à final com o Coritiba como favorito. Mas o Coxa se superou em campo e venceu o primeiro jogo por 2 a 1. No segundo, perdia por 1 a 0, mas um cabeceio certeiro de Paulo Vecchio no último minuto garantiu o título alviverde.

Bicampeonato coxa

O Coritiba veio com tudo no campeonato de 1972. Após arrasar na fase classificatória, o Alviverde chegou à final com o Atlético com vantagem. Como venceu o primeiro jogo e empatou o segundo, não foi necessário um terceiro jogo. Esse título marcou o bicampeonato coxa-branca e o começo da supremacia alviverde nos anos 70, que culminou com a conquista do hexacampeonato.

Em 78, a emoção tomou conta da decisão entre a dupla Atletiba, em uma das finais de campeonato mais disputadas da história. Os três jogos da final acabaram empatados em 0 a 0, assim como a prorrogação. O título acabou saindo de uma disputa de pênaltis, vencida pelo Coxa por 4 a 1 graças ao goleiro Manga que, com quase 40 anos, fez duas defesas.

O Atlético entrou na década de 80 com tudo e em 83, conquistou o bicampeonato estadual, quebrando um tabu de 53 anos. Até então, seu único bi fora conquistado em 29/30. Na sétima decisão direta entre a dupla Atletiba, o Rubro-negro ficou com o título após uma vitória e um empate em 1 a 1, em pleno Alto da Glória.

A dupla Atletiba só voltou a se encontrar numa decisão em 1990 e o Atlético confirmou a supremacia nos últimos confrontos. E contou com um revés do zagueiro Berg na grande final. Dirceu abriu o marcador para o Atlético e Pachequinho e Berg viraram. Mas aos 26 minutos do segundo tempo, Berg marcou gol contra, dando o título ao Atlético.

No ano seguinte, o Paraná Clube iniciou um período supremo no campeonato estadual e só viu o reinado acabar em 98, quando mais uma vez Atlético e Coritiba chegaram à final. O Coxa venceu o primeiro turno e o Atlético o segundo. A decisão aconteceu em três jogos. Após um empate sem gols no primeiro jogo, no Couto, o Atlético passou como verdadeiro Furacão no Pinheirão e aplicou uma goleada por 4 a 1 no rival. No terceiro jogo, necessitando apenas de um empate, o Rubro-negro não teve muito trabalho para vencer o abatido Coxa por 2 a 1, batendo também o recorde de público (44.475).