A bancada do PSOL na Câmara de vereadores do Rio apresentou Projeto de Lei para mudar o nome do Estádio Olímpico Municipal João Havelange, mais conhecido como Engenhão, que, segundo a sugestão, passaria a se chamar oficialmente Estádio Olímpico Municipal João Saldanha. A proposta é uma consequência da participação de Havelange em um escândalo de corrupção que envolveu a empresa de marketing ISL, nos anos 90. Na semana passada, a Comissão de Ética da Fifa fez revelações sobre o caso que levaram o cartola brasileiro a renunciar ao posto de presidente de honra da entidade.

Entre 1992 e 2000, Havelange, o também brasileiro Ricardo Teixeira (ex-presidente da CBF) e o paraguaio Nicolás Leoz, que deixou há poucos dias o comando da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), receberam propinas de cerca de R$ 45 milhões da ISL, segundo relatou a Fifa. Para os vereadores cariocas Eliomar Coelho, Renato Cinco e Paulo Pinheiro, não há como o Rio manter o nome de Havelange no estádio, que foi construído para os Jogos Pan-Americanos de 2007 e também será palco de competições da Olimpíada de 2016.

Os três vereadores defendem a homenagem a João Saldanha, que brilhou como jornalista e também foi técnico da seleção brasileira. “Quando se fala em ética, honra, paixão pelo futebol, pelo Brasil e pelas causas populares, João Saldanha é um nome que diz muito. Mesmo que não seja possível resgatar a confiança na cobertura do estádio no curto prazo, que se resgate ao menos a respeitabilidade do seu nome”, diz o texto do projeto.

O Engenhão está interditado desde o dia 26 de março, quando a prefeitura do Rio recebeu do consórcio responsável pela construção do estádio, formado por Odebrecht e OAS, um laudo que indicava risco aos torcedores devido ao deslocamento da cobertura, existente desde sua inauguração em 2007. Relatório da empresa alemã SBP apontou “risco de ruína” da cobertura em caso de ventos acima de 63 km/h.

Nesta semana, a Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (Abece) contestou o laudo da SBP. Segundo a Abece, o estudo da empresa alemã “desprezou totalmente” um relatório produzido em 2004 pelo laboratório canadense RWDI, que norteou o projeto estrutural da cobertura. Em nota, a Abece pediu a revisão do laudo da SBP, considerando-se agora o estudo da RDWI.

O estádio, construído para o Pan de 2007 ao custo de R$ 380 milhões, continua sem previsão de reabertura – a prefeitura do Rio nem sequer anunciou como o problema será resolvido. Enquanto isso, começa o movimento para que o Engenhão tenha um novo nome.