Pouco antes de atender à ligação da reportagem, Mary Ramsey, a voz da banda 10.000 Maniacs, testava um novo aplicativo criado para ensinar a língua portuguesa a norte-americanos em seu aparelho celular. “Estou me esforçando. Espero até lá conseguir me comunicar melhor do que atualmente”, explicou Ramsey, antes de arriscar dizer um “bom dia” graciosamente torto.

Não se trata da primeira passagem do 10.000 Maniacs, banda dona daqueles bons soft rocks da primeira metade dos anos 1990, como Because the Night, registrada no MTV Unplugged do grupo, de 1993, mas os tempos são outros.

E Ramsey, ao falar por todos do grupo, não quer ficar para trás no tempo. Na nova turnê pelo Brasil, que inclui apresentações em São Paulo (dia 1º de junho, no Espaço das Américas), Rio de Janeiro (dia 2, no Vivo Rio) e Porto Alegre (dia 3, no Auditório Araújo Vianna), eles não vão se esconder apenas nos clássicos reunidos no mais recente disco, de nome sugestivo, Playing Favorites, do ano passado.

A turnê tem canções do álbum Twice Told Tales, de dois anos atrás, no qual a banda revisita canções do folclore britânico, dando a elas a sua pegada. Dentre elas, Lady Mary Ramsey I, uma canção que não foi feita para a vocalista do 10.000 Maniacs, mas que a faz vibrar pela coincidência de ter o mesmo nome da tal Lady. Para quem quer saber como os Maniacs soam em 2017, tão distantes daquela versão acústica que reverberou na MTV há mais de 20 anos, a cantora avisa: “Vamos ter espaço para algumas canções novas nas quais temos trabalhado recentemente”.

É o gancho perfeito para saber se há um novo disco nos planos. E há, mas Ramsey e banda ainda tentam entender como funcionar no novo meio da música digital. “Temos perguntado para os fãs como eles acham melhor proceder nesse caso”, conta. Atualizada no tempo, a cantora tem suas playlists favoritas no aparelho celular, mas isso não significa esquecer o passado. “Ainda guardo meu walkman”, garante.