Dia 10 de março de 2008, Dalmi e eu estamos completando cinqüenta anos de casados e resolvemos olhar com mais atenção para o passado. Sentamo-nos no velho banco da praça aonde tivemos os primeiros devaneios. Tudo era bonito, desde o cair de uma folha até o cantar de um pássaro.

Ninguém escolhe o seu próprio destino. Deus o traça e a vida o conduz por entre os caminhos que, intimamente, cada um se determina. Entre o bem e o mal ergue-se o paredão do livre arbítrio. Bom seria se cada um ao nascer trouxesse escrito na testa o seu próprio futuro.

O casamento, por exemplo, existe antes das bodas, isto é antes da festa da sua celebração. Surge quando o homem ou a mulher cruzam os seus olhos e se deixam envolver pelos mesmos anseios, pelo aperto de mãos, pelo abraço ou pelo primeiro beijo. As núpcias são conseqüências. A partir delas é que surgem as mais importantes situações a começar pela compreensão, diante de novas adaptações. É o nascer de uma vida nova. Afinal são duas almas e dois corpos que se irão fundir num só. É aí que se faz necessária a solidariedade, pois dificuldades e sacrifícios surgirão sempre.

A lua-de-mel deveria ter a duração da eternidade. Todos, entretanto, podem vivê-la a cada minuto, a cada hora e a cada dia. Basta querer e entender o sentimento da pessoa amada. Ninguém deve impor a sua vontade sozinha, mas sim discuti-la, pois, o diálogo é a virtude do bom senso.

Olhamos para o passado e identificamos como as coisas foram difíceis no começo. O nosso consolo é que para muita gente foi assim também. Os momentos tinham o sabor da incerteza.

Dalmi confiou muito. Jamais fraquejamos. Devo a essa extraordinária mulher o incentivo, a compreensão e o carinho. A mão de alguém é sempre o farol que alerta o viandante contra os rochedos. Esse ponto geralmente tem origem na força que consola e impulsiona ou na palavra que estimula. A solidariedade não se arranja e nem se troca, a solidariedade conquista-se e se a distribui. Mas, em função disso e do trabalho digno e dos estudos permanentes, – fizemos juntos o curso de direito, -a situação foi melhorando e complementou a felicidade que já possuíamos.

As filhas, Wanessa e Waléria, vieram como bênçãos e depois os netos, Guilherme, Juliana e Izabela, tornando presente a graça divina.

Agora, mãos dadas, iremos rezar juntos e agradecer aos nosso pais pelas vidas que nos deram.

Eles também sofreram, por certo, a expectativa do amanhã como muitos outros pais. Nada existe de mais puro.

Se alguém pensa que assim se relata por vaidade respondo com humildade aquilo que aprendi: ?Quem sabe o que fala, e não fala o que sabe, esse não merece clemência?, pois, o exemplo de uma vida há que ser contado para que outros o sigam. Não é fácil. Mas é preciso tentar-se. A montanha por mais fria e alta que o seja, pode ser escalada. As estrelas ficam mais próximas dos seres e os sonhadores podem admira-las de perto.

Tu dirás, isso é poesia. Sobes, então, comigo e não te esqueças desta estrofe que li em Mário Quintana:

… se alguém te perguntar o que quisestes dizer com um poema, pergunta-lhe o que Deus quis dizer com este mundo…?

Para ti leitor, escrevi, mas foi para Dalmi que mandei o meu coração.

O mundo, digo eu, é criação e a felicidade dos que se amam é a sua grande inspiração.

Osmann de Oliveira, advogado, jornalista e membro do Centro de Letras do Paraná.