Quando está em uma peça de teatro, em frente a um grande público, e não consegue se emocionar, Maitê Proença sabe o que fazer para parecer emocionada. Com 33 anos de carreira, aprendeu a dominar as soluções da encenação. “Eu estava fazendo coisas que, na verdade, me protegiam. Mas eu não queria mais fazer isso. Queria algo que mexesse comigo, por isso fui para a escrita”, diz. Escolheu contar a história de Terezinha, idosa que, ao ter passado por todas as idades, parece resolver os problemas da vida.

Ao lado de Valdina (interpretada por Clarisse Derzié Luz), a personagem compõe a dupla de velhinhas de À Beira do Abismo me Cresceram Asas, que estreia amanhã (15) no Teatro Faap.

A ideia de abordar a terceira idade – aqui vista como melhor idade – partiu do texto que o dramaturgo Fernando Duarte enviou para Maitê depois de assisti-la em As Meninas, em 2010. “O espetáculo mostrava crianças falando sobre assuntos de adultos. Achei que ela seria uma boa parceira para tratar, também, da terceira idade.”

Em visita a uma tia que vive em um asilo, Duarte conheceu 60 idosos. Saiu de lá com a ideia de produzir algo que abarcasse as histórias de vida que ouviu. Voltou mais vezes para entrevistar os 20 velhinhos que formaram a base do texto.

Ocupada com gravações, Maitê só foi olhar o enredo seis meses depois de recebê-lo e se interessou. A partir daí, iniciou-se uma coautoria. “Tirei as lamúrias e mantive as delícias da velhice. Aquelas pessoas têm todas as idades, é o melhor ponto de vista para se falar do que quiser e com autoridade”, diz.

À BEIRA DO ABISMO ME CRESCERAM ASAS – Teatro Faap. Rua Alagoas, 903, 3662-7233. 6ª e sáb., 21 h; dom., 18 h. R$ 70/R$ 80. Até 18/8.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.