Em IV, as relações voluntárias capazes de introduzir alguma mudança na ação política se colocaram na dependência do Estado. Esta colocação encontra um reforço, de grande significação, em Leslie Lipson, para quem ?O Estado é o que são suas funções, enquanto influenciadas pelas concepções dos homens do que deveriam ser?.

Por ser a sociedade política mais perfeita, o Estado pode atender os cidadãos em todas as suas necessidades temporais, o que se reflete na opinião pública; então, colaborar para que o público se manifeste, de maneira mais consistente e objetiva, pode ser uma das principais funções que o Estado desempenha. Disto, não é nada diferente, segundo a expressão de Jean Meynaud: ?Pode-se esperar… que a difusão dos conhecimentos adquiridos poderá ajudar o cidadão a compreender melhor os problemas em relação aos quais toma posição?. E fica claro: esta compreensão se tornará mais ampla e consistente se fizer parte dos propósitos da disciplina de ciência política das universidades.

As aspirações públicas aperfeiçoam as funções do Estado na ordem direta do conhecimento que as universidade podem promover e difundir.

Entre nós, a palavra cidadania está na moda. Como exercê-la, devidamente, se o seu conteúdo não é esclarecido? Sabemos que se trata de uma qualidade do homem no Estado; e quais são os atributos, os qualificativos da cidadania? Cidadão é apenas o habitante da cidade ou, inclusive e sobretudo, o que nela mora e sabe nela viver? Hein, civilização ocidental!

E prossegue o sábio francês: ?E o servidor do Estado e das outras coletividades públicas, a melhor aprender a natureza e os objetivos de sua ocupação?.

Desses dizeres, abalizados, pode-se deduzir, com certa clareza, que os servidores referidos, ao compreender bem as funções do Estado, assumem a condição de poder ver e sentir, no seu trabalho, sua própria expressão.

Pedro Henrique Osório é professor universitário.