Foto: Divulgação

Byrce Dallas Howard: missão de mudar destino de moradores.

A dama na água, última produção do cineasta indiano M. Night Shyamalan, estréia amanhã, em todo o Brasil, trazendo mais uma vez a expectativa que o mentor do projeto vai conseguir repetir o sucesso estrondoso de O sexto sentido.

Porém, quem for ao cinema projetando o traçado de um paralelo com o filme que lançou Shyamalan, vai se decepcionar. Não que A dama na água não tenha qualidades – tem muitas, mas, apesar de a essência emotiva também estar presente, o caráter inverossímil do filme ultrapassa as projeções espíritas e se fixa em um mundo imaginário. O norte é a busca e o encontro da verdadeira essência da vida, com o uso de metáforas que podem ser traduzidas, intimamente, por cada espectador.

Como bússola dessa busca íntima, está Story – que em inglês significa, sugestivamente, estória, interpretada de modo profundamente poético por Byrce Dallas Howard. Depois de aparecer para o mundo em A vila, como uma desbravadora cega, ela dá mostras de que tem tudo para ser a queridinha do diretor. E não é para menos. No papel de uma ?narf??, espécie de ninfa que permeia o universo das histórias infantis, ela sai de seu mundo aquático com a missão de mudar o destino dos moradores de um condomínio no subúrbio da Filadélfia. Primeiro sob a proteção do desiludido Cleveland Heep (Paul Giamatti, de Sideways), que faz as vezes de intérprete do ser encantado, ela vai mudando a essência de outros moradores, dando um sentido diferenciado à vida de cada um. Em contrapartida, eles precisam ajudá-la a ser salva de criaturas perigosas que põem em risco a vida no mundo paralelo da naif. Em A dama na água, cheio de recursos diferenciados como imagens desfocadas e planos incomuns, Shyamalan faz um convite ao retorno à inocência da infância, quando qualquer sonho, por mais difícil, nunca era impossível. É uma sugestão de confiar em si mesmo, justamente a mensagem que o cineasta quis passar a suas filhas, quando contou a estória de ninar que deu origem à fita.