Foto: Anderson Tozato

Élcio Di Trento diz que é preciso sentir cheiros, cores, gostos e se relacionar com a história para poder comunicar com verdade.

É sedução. É paixão. São oportunidades. É liberdade. Porém, é também, um caminho sem volta. Assim é, ou melhor, pode ser, a leitura de um livro infantil. Não se trata daquela simples, que se resume às palavras, mas da outra. Aquela que se sente e faz o outro sentir, que é cheia de emoção e magia, a qual só um contador de história pode dar.

?É preciso dialogar com a história. Sentir – cheiros, cores, gostos, ritmo – e me relacionar com esse universo para poder comunicar com verdade: contar?, diz o ator, arte- educador e contador de histórias Élcio Di Trento. Aqui ou em qualquer outro lugar onde conta suas histórias e ensina outras pessoas a fazê-lo, o profissional diz que o segredo é um só: ?é se apaixonar por esse espaço que é o livro infantil?. ?Eu me apaixono pela história, passo essa paixão quando conto e trago aquela criança para o livro?, diz.

Ator, formado pela Faculdade de Artes do Paraná, há 12 anos Trento pesquisa esse universo da literatura. Em Portugal, Curitiba e outras cidades, paranaenses e paulistas, ele promove a arte de contar história. Para isso ele desenvolveu uma técnica: ?a técnica do diálogo – entre narrador, história e ouvinte?. ?É um trabalho apaixonante. Eu alimento meu imaginário com todas as histórias que eu vou contando. Porém, contar história é uma técnica, tem um ritmo e é feito de oportunidades, pois as histórias não estão apenas nos livros?, comenta.

Técnica

O primeiro passo, segundo o ?contador?, é preciso dialogar com o livro e com a história, para se envolver nesse universo de letras, imagens e muito mais – e o período de ?maturação?. O segundo momento é quando a história vai dialogar com o ouvinte, vai envolvê-lo, como continua a explicar. ?A história pode ser contada pela simples narrativa – quando você provoca uma história sua, cria as suas próprias imagens e tenta deixar a história o mais natural possível. Uma segunda maneira é incorporar gestos: mas nem todos. Estes devem ser estudados e preparados para não limitarem. A terceira maneira é contar a história com o livro?, expõe.

De acordo com Trento, contar história é algo que deve ser feito sem pressa. ?O imaginário precisa ser sempre alimentado para não morrer de inanição. Se a leitura não é alimentada, estimulada, a criança não vai ler. Mesmo uma história pequenina tem um universo de conteúdo que vai muito além do literário?, conclui.

Cursos

Na próxima semana, de segunda a quinta, das 19h às 22h, e sábado e domingo das 9h às 12h e das 13h30 às 16h30, Élcio di Trento dará um curso de formação em técnicas de contar histórias. O curso custa R$ 150 e será ministrado na Rua Kellers, 555, no Alto São Francisco. As informações e inscrições são pelos telefones 3026-8113 ou 9166-5764 / 9647 9713.