Um cantor country alcoólatra e em fim de carreira, Bad Blake já não faz o mesmo sucesso de antes. De grandes shows das décadas passadas, agora ele passa a vida entre bares e boliches duvidosos, repetindo suas antigas músicas para um público, como ele, antigo. Coração louco, em cartaz nos cinemas, marca a estreia do diretor e roteirista Scott Cooper e baseia-se no livro homônimo de Thomas Cobb.

Bad Blake é Jeff Bridges, com a interpretação que lhe rendeu o Oscar de melhor ator deste ano. Talvez por isso possa se assemelhar e lembrar a muitos o filme O lutador, que em 2009 rendeu o Oscar de melhor ator a Mickey Rourke.

O relacionamento conflituoso com um filho que foi esquecido durante décadas e a tentativa de reaproximação é outro ponto em comum entre os dois enredos. As turnês cada vez mais decadentes, sempre regadas a muita bebida e com uma mulher diferente a cada noite parecem não ter mais o mesmo encanto de antes ou ser tão suficientes assim.

Quase que por acaso, em uma de suas turnês Blake conhece a jovem jornalista Jean Craddock (Maggie Glyllenhaal). A partir de uma entrevista sobre sua carreira que ele concede à repórter, começa a nascer um relacionamento peculiar entre o músico e ela, traumatizada por seus namoros anteriores e pelo casamento que não deu certo (do qual ela tem um filho de quatro anos). Quanto a ele, não se pode deixar de notar que, mesmo com todos os defeitos, possui um carisma inigualável.

O envolvimento com Jean aparece como um resgate para o fim da vida de Blake, então com 57 anos, e de uma possibilidade de mudança, de se importar com mais alguém além dele próprio.

A questão é se quando esse resgate vem, quem precisa de ajuda estará preparado para não perder a chance e agarrá-la com todas as suas forças. Ou se a fraqueza vai falar mais alto e colocar tudo a perder. Mais uma vez.

Junto com essa rotina de batalhar pelo dinheiro da próxima apresentação, Blake guarda um rancor de seu aprendiz Tommy Sweet (Colin Farrell), mais jovem e que se tornou um dos maiores nomes na tradição do New Country, enquanto Blake foi esquecido.

Apesar de Blake tentar vê-lo como ingrato, não é bem isso que Tommy demonstra, ao convidá-lo para abrir seu show em um grande estádio ou sugerir que Blake escreva novas músicas para que Tommy as utilize em seu mais novo trabalho.

Tão importante quanto a narrativa são as músicas em Coração louco, que dão o tom da vida de Blake e da música country. Cada uma delas conta uma história diferente, o que torna uma produção interessante.

O filme é embalado pelo country rock, com destaque para canções do compositor e produtor indicado aos prêmios Grammy e Oscar, T Bone Burnett (que também fez Jonnhy e June), ao lado de músicas do compositor texano Stephen Bruton.