Morávamos na Rua José Loureiro onde hoje existe o Sesc, quase esquina com a João Negrão. Devia ser 1935, e eu com oito anos. Nossa casa era muito gostosa. Quartos amplos, a cozinha com fogão a lenha, e havia dois outros quartos no sótão. A casa de frente para a rua, fachada de tijolos, divisão de madeira e um portãozinho muito simpático na entrada. Do outro lado da rua, uma fábrica de laticínios.

Naquela tarde, alguém bateu palmas do lado de fora, e a empregada foi ver de quem se tratava… Eu, na sua ?cola?(curiosa). Era uma senhora meio gorda, carregava uma maleta marrom bojuda. Eu olhei extasiada para aquela maleta, mas percebi que nossa empregada apontou para outra casa.

À noite, minha mãe chegou do trabalho, cansada, mas eu não tive dúvidas, investi muito zangada: ?Veio a parteira com um neném na maleta, e a senhora não estava em casa para receber. A empregada mandou para a vizinha, e eu fiquei sem o neném…? Bati o pé e chorei de decepção, enquanto minha mãe e a empregada riam às gargalhadas!

Meu irmão Carlito, aos 13 anos, espantado diante do barrigão daquela grávida: ?Nossa! Como aquela mulher bebeu água…?.

Margarita Wasserman

Escritora e membro do Instituto H. E Geográfico do Pr