Há quase meio século, o musical A noviça rebelde (The sound of music) era montado pela primeira vez na Broadway. O sucesso estrondoso da produção vencedora de oito prêmios Tony marcou o início de uma carreira sem precedentes para a história de amor entre a jovem noviça e o capitão viúvo e pai de sete filhos: além da célebre versão cinematográfica de 1965, premiada com cinco Oscars, foi realizada mais de uma centena de montagens nos cinco continentes. A partir de 20 de março, o musical mais popular de todos os tempos chega ao Teatro Alfa, em São Paulo, na versão brasileira de Claudio Botelho, com direção de Charles Möeller.

Kiara Sasso (Maria Rainer) e Saulo Vasconcelos (Capitão Georg von Trapp) estão à frente de um elenco com 44 atores/cantores, que se revezam entre 31 personagens. A superprodução foi vista por 190 mil espectadores em sua temporada no Rio de Janeiro, onde estreou em maio de 2008. O espetáculo venceu o último Prêmio Contigo de Teatro na categoria Melhor Musical em Versão Brasileira e foi recordista de indicações ao próximo Prêmio Shell de Teatro, em cinco categorias: Ator, Cenário, Figurino e Especial (pela direção de produção e para a dupla Claudio Botelho e Charles Möeller, pela contribuição ao gênero).

“Queríamos fazer este espetáculo não apenas por ter algumas das canções mais encantadoras e populares já compostas para musicais, mas também pelos valores reais que ele traz, de amor, superação, lealdade, idealismo e solidariedade”, explica Charles.

“Além de ser um conto de fadas no estilo gata borralheira, alterna drama e humor; fala de política, religião, poder, aristocracia, crianças e de uma família transformada pela música. Por isso é uma história tão adorável e perene”, acredita. “Outro ponto que pesou na escolha foi o fato de ser uma obra da dupla Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II. Estávamos devendo ao público brasileiro um espetáculo deles, que são sem dúvida dois nomes dos mais importantes na construção do teatro musical moderno”, completa.

Após receberem a permissão da Rodgers & Hammerstein Theatricals – agência detentora dos direitos do musical – o ponto de partida para a dupla foi a escolha do elenco. “O cerne de uma produção como esta é encontrar os artistas certos: bons atores para atender à dramaticidade do texto e ao mesmo tempo bons cantores para interpretar canções que exigem bastante da voz”, resume Claudio. Além da atuação e do canto, a coreografia – a cargo de Dalal Achcar -é outro ponto determinante na preparação do elenco de um musical. Pensando nisso, Rita Murtinho criou um figurino leve e ao mesmo tempo fiel ao período do início da Segunda Guerra em que se passa a história.

Megaprodução

A complexidade de um musical deste porte exigiu nove meses de pré-produção e produção – incluídas aí as tradicionais oito semanas de ensaios, praxe dos musicais – até a estreia carioca, em maio do ano passado. Para isso, cerca de cem profissionais foram envolvidos diretamente na realização do projeto, entre direção, elenco, técnicos, produção e estagiários.

Somente para construir os onze cenários criados por Rogério Falcão, que pesam ao todo mais de seis toneladas, foram usados 1.800 metros de sarrafos, 199 chapas de compensado e 218m2 de MDF, entre outros materiais. Outros 300 itens, entre projetores, canhões e torres de luz e set lights foram utilizados para a iluminação assinada por Paulo César Medeiros.

Versão brasileira

A montagem brasileira é estritamente baseada no texto e músicas escritos para o palco, e não no filme estrelado por Julie Andrews. Naturalmente que a história e as canções são, em sua quase totalida,de, as mesmas. “O viés político que o filme de certa forma evita, é bem mais forte na peça. Há mais canções também”, detalha Claudio. No entanto, ele ressalta que, ao contrário de diversos outros espetáculos do gênero recentemente vistos no País, não se trata de uma produção importada, mas sim de uma nova direção de um clássico.

“Esta é a produção brasileira de um musical da Broadway, com a mesma liberdade que tivemos para montar aqui Company, Sweet Charity e Side By Side By Sondheim, liberdade fundamental para que nos interessemos por um projeto. Não há grandes mudanças, na adaptação do texto e das letras, por exemplo, mas existe uma preocupação de fazer tudo compreensível ao espectador brasileiro. Palavras em alemão e estrangeirismos desnecessários, por exemplo, foram cortados ou adaptados.”

Charles ressalta outra diferença: “É uma abordagem particular, claro. Afinal, somos latinos, o espetáculo é mais emocional. Nossas crianças são mais espontâneas e barulhentas. O conceito de brincadeira, de desobediência é outro por aqui”.

História verídica

Montada em 1959, a produção teatral norte-americana contou com a atriz Mary Martin no papel principal e conquistou enorme sucesso de público e crítica, recebendo oito prêmios Tony. Esta, por sua vez, foi baseada em um filme alemão que levou pela primeira vez às telas a história contada no livro autobiográfico de Maria Augusta Trapp (The trapp family singers) sobre a família von Trapp.

Depois do êxito nos palcos, o musical ganhou em 1965 sua versão cinematográfica mais famosa, dando origem a um dos mais cultuados filmes de todos os tempos, vencedor de cinco Oscars. Estrelado por Julie Andrews e Christopher Plummer, A noviça rebelde (The sound of music) imortalizou definitivamente as canções da dupla Rodgers e Hammerstein, já presentes no musical de 1959, como The sound of music, Dó-Ré-Mi, My favorite things e So long, farewell.

No mesmo ano, era feita a primeira montagem brasileira, batizada de Música, divina música. Com produção de Oscar Ornstein e direção do norte-americano Harry Woolever, o espetáculo trazia pela primeira vez ao Brasil a versão completa norte-americana. No elenco estavam nomes como Carlos Alberto, Tereza Cristina, Djenane Machado, Moacyr Deriquem, Ary Fontoura, Renato Consorte e Monique Lafond.

Serviço

A noviça rebelde

• Estreia em 20 de março, no Teatro Alfa, em São Paulo
• Ingressos pela internet: www.ingressorapido.com.br ou telefone: (11) 4003-1212
• Venda para grupos: (11) 3437-5308
• Horários: Quintas, às 21h. Sextas, às 21h30. Sábados, às 17h e 21h. Domingos, às 16h.
• Classificação etária: 5 anos
• Duração: 2h45 (com intervalo de 15 minutos entre os dois atos)