Com Tony Ramos no lugar de Paschoal da Conceição, atuação consagrada de Dan Stulbach, uma passagem gloriosa pelo Festival de Teatro de Curitiba do ano passado e quatro Prêmios Shell na bagagem, o espetáculo Novas Diretrizes em Tempos de Paz – texto de Bosco Brasil com direção de Ariela Goldmann – retorna a Curitiba só este final de semana, no Teatro HSBC.

Concluído depois de um encontro casual do autor com Dan Stulbach logo depois dos atentados de 11 de setembro, o texto conquistou Tony Ramos, que, mesmo às voltas com as gravações de Mulheres Apaixonadas, da Rede Globo de Televisão, topou voltar aos palcos depois de um jejum de cinco anos. Stulbach também está na trama de Manoel Carlos, no papel de Marcos.

Visualmente, a peça é despojada: apenas dois homens, uma sala, uma mesa, alguns objetos… Mas, em meio a tamanha simplicidade, o encontro entre o polonês Clausewitz (Stulbach) e o interrogador alfandegário Segismundo (Ramos) toca em diversos e fundamentais temas: a violência da guerra, a violência dos tempos atuais, a desumanização e a possibilidade de redescoberta do homem.

O que confere o brilho à montagem são a sensibilidade do texto e o intenso trabalho de interpretação dos dois atores. A história se passa num escritório da alfândega do Rio de Janeiro em abril de 1945. Clausewitz faz um refugiado polonês que aprendeu português por conta própria e tenta um visto de entrada para trabalhar no Brasil. Embora os combates da Segunda Guerra já tivessem cessado na Europa, o Brasil está tecnicamente em guerra.

Salvo-conduto

Portanto, enquanto não é selado o armistício, todo estrangeiro precisa portar um salvo-conduto para se deslocar livremente pelo país. O polonês é um ator que após passar pelos horrores da guerra desiste da profissão e decide tentar a sorte como agricultor no Brasil.

Na alfândega, ele é barrado sob a suspeita de ser um nazista fugitivo, e é encaminhado para um interrogatório com o ex-torturador Segismundo. Na sala de imigração, Segismundo recebe centenas de estrangeiros que descrevem os horrores passados na guerra, mas nada lhe toca. O Sr. Clausewitz é o último a ser atendido naquele dia, e o ex-torturador lhe propõe um desafio: o polonês tem dez minutos para fazer Segismundo chorar, ou embarca de volta para a Europa.

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Hoje às 19h e 21h e amanhã às 18h no Teatro HSBC/Palácio Avenida. Ingressos a 30 reais (clientes HSBC e estudantes têm 50% de desconto).