São Paulo 

– No roteiro que escreveu para Truman Show – O Show da Vida (e que virou filme de Peter Weir), Andrew Niccol contou a história de um homem enganado pelo mundo. Truman (Jim Carrey) pensa que é sua vida o que não passa de um show de TV transmitido ao vivo, há 30 anos. Em S1mone, que agora escreve e dirige, Niccol dá a marcha à ré e conta a história de outro homem que engana o mundo. O filme estréia hoje nos cinemas.

Este homem é o personagem interpretado por Al Pacino. Diretor de cinema, logo no começo Viktor Taransky é levado à loucura pelos caprichos de sua estrela (interpretada por Winona Ryder). Demitido do estúdio pela mãe de sua filha, a ex-mulher, ele recebe a visita de um lunático que termina por deixar-lhe de herança um disquete com uma fita de computador. É o Simulation One, um programa que lhe permite criar a estrela virtual, convenientemente chamada de Simone.

Tão grande é o sucesso dessa bela e misteriosa mulher, uma mistura de pixels e figura real criada pela empresa BUF Inc., que Taransky de repente está no epicentro de um furacão. Na era da imagem, quando a mídia parece moralmente autorizada, em nome do bem comum, a invadir a privacidade das pessoas, torna-se difícil para o herói manter sua fraude. Todo mundo quer ver, tocar, falar com Simone. E o problema é que ela não existe.

O filme é crítico e divertido no começo. Leva a uma conclusão insatisfatória, mas até lá o espectador não apenas não se aborrece como é brindado por algumas pérolas sobre o artificialismo dominante em Hollywood. É o que está em discussão. A vida virou um filme ou são os filmes que agora substituem a vida? O problema, como vem se tornando freqüente, é Al Pacino.

Considerado, por uma pesquisa feita na internet, o melhor ator de todos os tempos, ele é um astro que exerce controle sobre tudo e todos: roteiro, diretor, produção. Pacino repete sempre o mesmo personagem formatado para ele, hiperativo e neurótico. Está cansando, mas o público da Internet acha que é melhor do que Lawrence Olivier e Marlon Brando.