Desde 2006, quando o Museu de Arte Contemporânea (MAC/USP) prestou homenagem ao seu centenário de nascimento, o pintor Aldo Bonadei (1906-1974) não tem sua obra exibida em São Paulo. Além dessa retrospectiva, sua última individual póstuma foi em 1996, na Galeria Dan. Grande nome do histórico Grupo Santa Helena, Bonadei sempre foi reconhecido pelos críticos, mas não teve a projeção de seu amigo Volpi. Com a valorização da obra do artista no mercado, próxima do patamar de Volpi, Bonadei ganha uma exposição à altura de seu arrojado trabalho, pioneiro na abstração no Brasil. Ela será aberta nesta quinta-feira, 7, na Galeria de Arte Almeida & Dale, com 40 telas pertencentes a colecionadores particulares, das quais apenas 11 estarão à venda. São pinturas realizadas entre 1930 e 1973, expostas ao lado de objetos usados como modelos pelo artista e roupas que ele desenhou e hoje pertencem ao Museu da Moda do Rio.

Bonadei, como lembra a curadora da mostra, Denise Mattar, era um homem modesto que sobrevivia auxiliando a mãe em sua oficina de costura. Viveu da pintura apenas nos últimos anos de vida. Talentoso, chegou a desenhar figurinos para uma montagem da revolucionária peça Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, e de dois filmes de Walter Hugo Khouri (1929-2003), Fronteiras do Inferno e Na Garganta do Diabo (ambos de 1959). Sexto filho de uma família de italianos que se fixou no Brasil no fim do século 19, Bonadei mostrou interesse pela pintura desde os nove anos, recebendo da mãe suas primeiras tintas e pincéis. Aos 17, começou a estudar com o acadêmico Pedro Alexandrino, realizando sua primeira individual aos 23, numa sala alugada na Rua São Bento. Em 1930, a família se mobilizou e mandou o garoto estudar na Academia de Belas Artes de Florença. Bonadei frequentou o ateliê do diretor da instituição, Felice Carena (1879-1966), pintor profundamente marcado por Cézanne e Matisse.

Essa influência dos franceses foi absorvida pelo aluno – e é nítida em muitas das telas expostas na galeria Almeida & Dale, que tem em seu acervo algumas do último período (anos 1960 e 1970). Entre os colecionadores que cederam obras para a mostra estão conhecidos proprietários de pinturas de Volpi, como Ladi Biezus e Marco Antonio Mastrobuono. O último, que conviveu com o artista, tem duas naturezas-mortas de 1968, ano decisivo na produção de Bonadei, por marcar, segundo a curadora Denise Mattar, uma virada na ordem cromática de sua paleta. “As cores ficam mais vivas e fortes”, observa, apontando a tela Dia e Noite (óleo de 1968).

ALDO BONADEI – Galeria Almeida & Dale. R. Caconde, 152, 3887-7130. Abertura, 19h, para convidados. Visitas agendadas: 2ª a 6ª, das 9h às 19h.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.