Ao ler uma matéria de revista feminina, Ally Darling descobre que a média de parceiros que uma norte-americana tem na vida é de dez homens e que, acima desse número, as chances da mulher se casar diminuem drasticamente. O problema é que ela teve 19 namorados e, para não aumentar a lista e diminuir ainda mais sua probabilidade de subir ao altar, resolve procurar os antigos companheiros e reconquistar algum. Essa é a trama de “Qual seu número?”, comédia romântica que estreia hoje, estrelada por Anna Faris e Chris Evans.

A atriz está engraçadíssima no papel de Ally. Anna já tinha mostrado sua veia cômica ao roubar a cena num papel coadjuvante em “Apenas Amigos” (2005). Nesse filme, ela interpretava uma roqueira excêntrica e fazia a atuação de Ryan Reynolds e Amy Smart – o casal romântico – perder o brilho. Em “Qual seu número?” a atriz está mais madura – ela também é produtora executiva do longa – e numa fase em que começa a emplacar papéis principais em produções maiores. No filme atual, Chris Evans, mais conhecido como o novo Capitão América, interpreta o vizinho galinha Colin, e também acaba ofuscado pelo talento da colega.

Pensando, porém, que a maioria do público de comédias românticas é feminino, isso não faz a menor diferença. A atuação fraca de Evans é compensada pelas várias cenas em que ele aparece sem camisa e exibe a barriga tanquinho. Além disso, ver um homem bonito e galinha se apaixonando certamente provoca um ‘ohnnn’ nas mulheres mais sensíveis. O que não quer dizer, aliás, que os homens não vão gostar do filme.

A busca de Ally pelos ex-namorados é hilária. Uma das melhores cenas é quando ela reencontra Simon (interpretado por Martin Freeman), um ex-namorado britânico para quem fingia ser inglesa quando eles estavam juntos. Durante o encontro, Ally finge o sotaque britânico, mas acaba bebendo demais e o acento se transforma das formas mais bizarras possíveis. Logicamente, a experiência com Simon vira um fracasso.

Outra tomada engraçada é quando ela vai até o consultório de ginecologia de um caso antigo. Bronzeada artificialmente e com uma lingerie sexy por baixo da roupa justa, não é reconhecida por ele prontamente. Mas, durante o exame ginecológico, o homem a reconhece na hora. A reação de Ally é sair correndo do lugar.

 

Cada reencontro que dá errado é motivo para a personagem buscar os conselhos de Colin. É ele, aliás, quem a ajuda a localizar vários dos casos antigos. Enquanto conversam sobre relacionamento, os dois acabam se conhecendo melhor. Colin descobre que Ally é uma excelente escultora e acaba dando força para que ela transforme – o que inicialmente é um hobby – numa profissão. Ela, por sua vez, incentiva a carreira dele como músico. Aos poucos, o clima de romance vai se intensificando até Ally encontrar Jake Adams, ex-namorado rico, bonito e que ainda é aprovado como genro pela mãe interesseira de Ally. Os dois começam a namorar, mas a história ainda não chega ao final feliz.

Entre dúvidas existenciais e outras tantas cenas engraçadas, o filme se propõe a discutir o quanto as pessoas tentam mudar para conseguir amor e aprovação. Ally, por exemplo, faz diferentes tipos de mulheres para seduzir de acordo com a personalidade do alvo em questão. E acaba percebendo, aos poucos, que na verdade o mais importante é encontrar alguém que goste dela como ela é. Ainda que sua lista fosse muito mais longa. As informações são do Jornal da Tarde.