Apesar de estar estreando em Malhação, Cláudia Ohana tem achado tudo muito familiar. A casa bem descontraída, com adolescentes circulando de um lado para o outro, sem hora nem lugar para nada. Até muito pouco tempo atrás, quando ainda morava junto com a filha Dandara, o cotidiano da atriz não era assim tão diferente do enfrentado pela professora Raquel, sua personagem do ?folheteen? da Globo. Inclusive porque a personagem também é desorganizada, brincalhona e adora se divertir com os amigos da filha.

Se bem que Raquel não tem apenas uma menina, mas duas filhas adolescentes, Roberta e Antônia – vividas respectivamente por Camila dos Anjos e Marcela Barrozo. Como se não bastasse, ainda abriga Manuela, a protagonista feita por Luiza Valdetaro, filha do ex-marido. ?Tem tudo a ver comigo. Adorava colocar som alto em casa e dançar com os amigos da minha filha. Era um entre e sai constante, a galera dormia toda lá em casa. Ela é bem moderna?, diverte-se.

Com a mesma irreverência a atriz analisa sua relação com a carreira, que segundo ela, é dividida por fases. ?Fase só de fazer cinema, de tevê, de teatro…?, enumera. Mas Cláudia deixa escapar que como não faz tevê há três anos – desde Canavial de Paixões, no SBT -, estava desacostumada com o ritmo acelerado de gravações. ?A vantagem é que me chamam para tudo e eu volto a ter vida social ativa. Mas essa inconstância de horários e mudanças de roteiros é muito cansativa?, avalia.

Você nunca havia sido chamada para fazer Malhação. Como tem sido atuar numa trama de adolescentes, que já está no ar há tanto tempo?

– Todo mundo me dizia que aqui era um lugar muito legal de se trabalhar, com uma garotada que está começando, um clima bacana. Também tenho visto a maior galera que já trabalha há um tempão. Não tem só novato não! O barato é ser mais leve, com menos responsabilidade. A novela exige uma preparação. Aqui tudo é continuação, não tem nada de começo de produção. No primeiro dia vi que era apenas o meu primeiro dia, mas não me sinto um peixe fora da água porque conheço bem a equipe, os cabeleireiros.

Mas você já atuou com o Marcelo Novaes, que faz o Daniel e que futuramente vai se envolver com a Raquel.

– É verdade! Contracenei com ele em Rainha da Sucata (de 1990). Nossa, faz tempo… Ele é muito bem-humorado e divertido. A gente faz a parte cômica da trama e vamos brigar muitíssimo. Estamos tendo ataques de riso desde o primeiro dia das gravações.

O fato de você dar aulas de teatro facilitou a sua aproximação com a personagem, que é professora de História?

– Um pouco. Estou compondo aos poucos esse lado de professora acadêmica porque eu quero fazer uma professora bem diferente, que não seja chata e dê uma aula moderna, dinâmica e divertida. Por isso assisti a filmes que me inspiraram, como Sociedade dos Poetas Mortos e O Sorriso de Monalisa, que é uma proposta mais moderna da relação do aluno com a professora, sem muito rigor. Senão vira uma coisa meio chata. E eu não quero passar o peso de uma professora mais velha, quero algo ?light?.

Falando em leveza, como tem sido a experiência de ser avó tão cedo, aos 43 anos?

Me pegou de surpresa. Mas meu neto Martin, de oito meses, me fez ver a vida de uma forma mais encantada. Mas acho que não tenho o perfil de avó. O peso dessa palavra é muito grande. Esta imagem está associada a uma velhinha na cadeira de balanço, contando historinhas e fazendo tricô. Pertenço a uma nova geração de avós jovens. Mas a palavra avó… ah, isso é muito esquisito!

No que essa experiência tem modificado a sua vida?

– Primeiro tive de me acostumar a morar sozinha, pois a Dandara, com 21 anos, já tem sua família e sua casa. É um ciclo muito louco. Às vezes dá vontade de ter outro filho. Outras horas observo que ser mulher é muito complicado. Você tem de ser boa mãe, boa profissional, boa dona-de-casa, boa amante e ser linda, malhada e de barriga sarada! É duro! Mas quero ser bisavó e ainda tataravó.