Arquivo / O Estado

?Como vai, como vai, vai, vai? Muito
bem, muito bem, bem, bem? (Arrelia).

Morreu, na madrugada de ontem, às 5h, na Clínica Santa Bárbara, em Botafogo, o palhaço Arrelia. Waldemar Seyssel tinha 99 anos e estava internado desde o dia 4 no CTI, com pneumonia. O enterro será em São Paulo. Arrelia foi o primeiro palhaço a apresentar-se na televisão brasileira. Ele ganhou grande destaque nacional durante seus mais de 20 anos na TV Record, entre 1953 e 1974, quando apresentou o programa ?Cirquinho do Arrelia?.  Formado em Direito, nunca exerceu a profissão.

Mesmo quando estourou a Segunda Guerra Mundial o palhaço não se abalou. Sua vida sempre foi a magia do circo e nada ofuscava sua alegria. Só mesmo quando começou o racionamento de comida e remédios é que foi perceber a intensidade da catástrofe. Na época, morava com a mulher Arlette e seus dois filhos em São Paulo, onde foi salvo por sua popularidade. Com amigos influentes, sua família foi socorrida com produtos básicos como carne, leite, açúcar.

Após a guerra, seu bom relacionamento com o então governador de São Paulo, Adhemar de Barros, voltou a salvá-lo de um aperto. Despejado do Lago da Pólvora e sem lugar para instalar seu circo, com interferência do governador, montou lona embaixo do viaduto Santa Ifigênia, no centro de São Paulo. Com o fim do mandato do governador, voltou a ser pressionado a deixar o local. Depois de muita briga na Justiça, um dia o circo pegou fogo, causando sofrimento ao palhaço.

Arrelia nunca deixou morrer a criança que sempre existiu dentro dele, por isso sempre fez crianças e adultos rirem. O palhaço formava dupla com seu sobrinho, apelidado de Pimentinha, divertindo adultos e crianças. O cumprimento dos dois ?como vai, como vai, vai, vai? muito bem, muito bem, bem, bem?, ficou famoso e foi imitado por muitas crianças.

Arrelia nasceu em uma família circense no dia 31 de dezembro de 1905, na cidade paranaense de Jaguariaíva.