Com um papel de bala amarrado em torno de outro, a artesã e contadora de histórias Efigênia Ramos Rolim, de 77 anos, consegue, a cada dia, mudar o rumo da própria vida e levar alegria à população.

Conhecida como “rainha do papel” e por já ter participado da feirinha do Largo da Ordem, que acontece todos os domingos no centro de Curitiba, ela está tendo seu trabalho mostrado em uma exposição que fica em cartaz até o próximo dia 17 de dezembro, no Espaço Cultural BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul) Palacete dos Leões.

“Selecionei 45 de minhas melhores obras para a exposição. São bonecas, roupas, chapéus, bolsas e animais feitos com papel de bala. Todos são mostrados junto com poesias escritas por mim”, conta a artesã, que recentemente recebeu, do Ministério da Cultura, a Ordem do Mérito Cultural em função de seu trabalho.

Efigênia nasceu na localidade de Abre Campo, no Estado de Minas Gerais, e chegou à capital paranaense em 1971. Já foi bóia-fria, analfabeta e retirante. Porém, aos 60 anos de idade, começou a fazer artesanato, o que deu um novo rumo à sua vida.

“Eu estava na Rua XV de Novembro, perto da Boca Maldita, quando vi um papel de bala verde jogado no chão. Pensei que fosse uma jóia que havia sido perdida. Porém, uma voz interior me disse que se fosse uma jóia eu iria usar e aquilo iria acabar. Com o papel de bala, eu poderia iniciar uma nova história em minha vida. Foi assim que tudo começou”, diz.

No início, Efigênia sofreu muito preconceito, pois algumas pessoas diziam que ela trabalhava com lixo. Hoje, é um exemplo dos benefícios trazidos ao meio ambiente pela reciclagem de materiais. A artesã já teve obras expostas em diversos estados do país e mesmo levadas para o exterior.

Em paralelo

Junto com Efigênia, no Palacete dos Leões, realizam exposição os estudantes de Artes Visuais Gustavo Rossini, de 22 anos, da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Bruno Baptistelli, de 23, da Universidade de Campinas (Unicamp).

Eles apresentam trabalhos que têm como tema principal o deslocamento espacial. Na instalação montada, uma das matérias-primas utilizadas é a chita. A mostra é denominada 7 meses curitibanos, sendo que ambos estão há poucos meses na capital paranaense.

Serviço

Exposição A rainha do papel. Até 17 de dezembro, no Espaço Cultural BRDE Palacete dos Leões (Av. João Gualberto, 530/570). De segunda a sexta-feira, das 12h30 às 18h30. Entrada gratuita. Informações: (41) 3219-8134.