O primeiro vilão é inesquecível. Principalmente para atores que só são vistos na pele de personagens heróicos ou românticos. Atualmente, o que não falta nas novelas são “marinheiros de primeira viagem”. Em Celebridade, por exemplo. Fábio Assunção e Cláudia Abreu nunca haviam sido tão malvados em uma trama. Ele como o inescrupuloso Renato Mendes e ela como a ambiciosa Laura. Giovanna Antonelli ganhou projeção com heroínas, como a Jade de O Clone e a Capitu de Laços de Família. Em Da Cor do Pecado, no entanto, prova o outro lado da moeda com a cínica Bárbara. Na novela das seis, Chocolate com Pimenta, Priscila Fantim e Nívea Stelmann também aumentam a lista de atrizes estreantes em vilanias. “A diferença é que o vilão faz o ator sentir prazer na maioria dos capítulos. Com o mocinho, é só sofrimento”, compara Fábio Assunção.

O que muitos dos atores querem quando são contemplados com um personagem maldoso é que o público os odeie com fervor, de preferência com direito a desaforos nas ruas. É a prova de que o profissional está convencendo no papel. Mas a tarefa não é fácil quando o ator já tem sua imagem muito colada a papéis açucarados, caso de Giovanna Antonelli, por exemplo. Para compor o visual da ambiciosa vilã de Da Cor do Pecado, Giovanna radicalizou. Emagreceu sete quilos em 20 dias, cortou as longas madeixas e tingiu o cabelo de louro. Um prêmio pelo sacrifício seria levar uma “guarda-chuvada” como a colega Regiane Alves – odiada pela Dóris, personagem que maltratava os avós em Mulheres Apaixonadas -, mas Giovanna escuta palavras doces por onde passa. “Dizem que sou má na novela, mas que me amam assim mesmo. Deste jeito não tem graça viver uma vilã, quero que fiquem com muita raiva de mim”, faz beicinho a atriz.

Distanciamento

Além de um eventual reconhecimento do público, um vilão faz o ator geralmente se distanciar da própria personalidade na hora de interpretar. É o caso da doce Priscila Fantim em Chocolate com Pimenta. A atriz de 20 anos não tem nada a ver com a megerinha Olga da novela das seis, até porque a trama se passa nos anos 20. Para ela, porém, é mais complicado atingir uma boa performance com a atual personagem do que com as três mocinhas que viveu em Malhação, As Filhas da Mãe e Esperança. “A Olga é a personagem mais difícil da minha carreira. Isso não quer dizer que não queria ir mais fundo na vilania e viver uma psicopata ou uma assassina”, avisa Priscila.

Mas há atores que, mesmo tarimbados, chegam a se chocar com as maldades que precisam interpretar na pele de vilões. Marília Pêra, por exemplo, ficou arrependida por ter aceito o papel de vilã em Meu Bem Querer. Para ela, a excêntrica Custódia criada por Ricardo Linhares tinha tudo para se tornar uma megera das mais engraçadas durante a novela. No entanto, a atriz ficou pasma quando soube que a vilã iria ser a responsável pelo assassinato de dois bebês. Paulo Betti, que novamente interpreta um policial honesto em Metamorphoses, ficava constrangido com os impropérios que dizia na pele de Higino Ventura em Força de um Desejo. O primeiro vilão da carreira do ator era um cruel feitor de uma fazenda. “No começo fiquei chocado, mas depois torcia para o personagem”, confessa Paulo.

Roubando cena

Acontece também da vilã se destacar muito mais do que a protagonista e heroína da história. É inegável, por exemplo, que Cláudia Abreu rouba a cena em Celebridade com a vingativa Laura. Mas a atriz de 32 anos e sete novelas no currículo ressalta que para ela nem sempre uma vilã é necessariamente melhor de interpretar do que uma mocinha romântica. A atriz lembra que em Força de um Desejo a escrava branca Olívia sofria horrores nas mãos do Higino de Paulo Betti e que ela também sentiu prazer com a personagem, tanto quanto em Celebridade. “O importante para mim é despertar emoções no público, seja com vilãs ou mocinhas”, garante.

Uma questão Emocional

Nathália Thimberg não ficou tão famosa com uma vilã como a colega Beatriz Segall, a eterna “Odete Roitman”, mas tem várias megeras marcantes na sua galeria. Atualmente como a vovó trambiqueira de Renato Mendes em Celebridade, a atriz de 71 anos não esquece da governanta Juliana, de A Sucessora, de 1978. Na novela de Manoel Carlos, baseada no livro de Carolina Nabuco, a personagem de Nathália era a grande torturadora da heroína. Ela ainda interpretou a maldosa Idalina de Força de um Desejo e a “coisa ruim” Constância Eugênia, mãe do inescrupuloso Felipe Barreto, de O Dono do Mundo. “As vilãs mexem mais com o lado emocional das pessoas do que as heroínas. Por isso, é mais fácil atingir o público com elas”, minimiza a atriz.

Rápida

Rubens de Falco não se importa nem um pouco em ser estigmatizado como um dos maiores vilões da tevê brasileira. Além do odioso Leôncio de Escrava Isaura, o ator interpretou outros vilões, entre eles, o maléfico Coronel Ferreira de Sinhá Moça.