Renata Dominguez é uma moça de 25 anos que já experimentou um bocado na tevê. Foi apresentadora de programa infanto-juvenil, fez papel de mocinha em folhetim moderninho, vilã em novela de época e atualmente encarna uma típica "patricinha" da Barra da Tijuca, bairro "emergente" carioca, a Pati, de Prova de Amor. "A Pati é moderna, animada", descreve com entusiasmo. A personagem na trama contemporânea da Record também representou um alívio para a atriz carioca. Renata sentiu o peso de encarnar a vilã Branca, em A Escrava Isaura, uma jovem amargurada e vingativa. "Foi bom para sair do clima da Branca", admite.

Pati pode ter trazido sentimentos mais serenos, mas veio com uma carga de exigências que surpreendeu Renata. Entre as mudanças impostas pela personagem estão a perda de nove quilos, a mudança na cor do cabelo, que ficou louro, e uma malhação diária à qual a atriz não estava habituada. Tudo para ficar com a cara de uma jovem típica da classe média da Barra da Tijuca. "Ela está me impondo muitas coisas. Estou sendo obrigada, por exemplo, a freqüentar mais a praia para manter o bronzeado", protesta, bem-humorada.

Não apenas a Pati, mas os bons resultados alcançados por Prova de Amor são a resposta que Renata Dominguez esperava quando optou pela Record. Mas além dos índices de audiência, são as possibilidades artísticas mais "generosas" que entusiasmam a atriz. Na Globo, ela foi mantida em Malhação por três temporadas e, no final de 2003, simplesmente não foi mais aproveitada na emissora. Na Record, Renata já está na segunda novela em dois anos e com dois personagens absolutamente diferentes no temperamento, no comportamento, no tempo e no espaço. "É gostoso trabalhar com pessoas que querem fazer bem, com cuidado para não errar. Lá existe um cuidado maior", elogia.

Mesmo que tivesse chance de continuar na Globo depois de Malhação, o convite para A Escrava Isaura teria balançado a atriz. Principalmente em função da origem do chamado: o autor Tiago Santiago. Renata já trabalhou com o autor de Prova de Amor por duas vezes antes. A primeira como a Solene, de Malhação, e a outra na peça Quatro Amores. "É um autor que me conhece muito bem. Nada melhor do que você trabalhar com alguém que conhece seu potencial", derrete-se.

Na ocasião do convite, mais do que uma nova possibilidade profissional, a chance de viver a Branca em A Escrava Isaura teve grande importância na vida da atriz. Isso porque Renata Dominguez sofreu da síndrome do pânico pouco antes do início das gravações da novela. A doença abalou de tal forma a atriz que ela teve que adiar sua entrada na trama em dois meses. Mas, de certa forma, a personalidade forte e as atitudes intempestivas da personagem obrigaram Renata a reagir. "Quando comecei a gravar estava muito frágil. A partir do momento em que comecei a trabalhar, eu comecei a me curar. Devo muito a ela", recorda.

Renata Dominguez acha que tem também uma dívida profissional com suas duas últimas personagens. Sem contar um claro amadurecimento artístico, a atriz vem conseguindo, enfim, se livrar da associação de sua imagem com a de Solene, de Malhação. "Hoje em dia não há mais isso, mas na época de A Escrava Isaura as pessoas não acreditavam que eu era a mesma atriz que tinha feito a Sol", diverte-se.

Marco equatoriano

Quem conheceu Renata Dominguez na pele da Solene, na temporada 2001 de Malhação, não poderia imaginar que aquela menina, então uma principiante na tevê brasileira, já tinha uma vasta experiência no vídeo. Dos 12 aos 18 anos de idade a atriz foi apresentadora de programas voltados para o público infanto-juvenil na tevê equatoriana. "Meu pai foi morar lá e eu tive de ir junto. Até que surgiu um teste para ser apresentadora, eu fiz e passei", explica.

Bailarina desde os cinco anos, Renata aproveitou a oportunidade para aprofundar os estudos que poderiam enriquecer seu currículo de artista. Ainda no Equador, estudou canto, dança e improvisação, entre outras disciplinas. Sua carreira de apresentadora no país andino foi tão relevante que Renata chegou a ser embaixadora do Unicef por lá, título equivalente ao de Renato Aragão no Brasil. "Lá há duas regiões quase inimigas: Guaiaquil e Quito. É um clima quase de guerra civil. E o fato de ser brasileira ajudou que eu fosse aceita pelas duas partes", conta.

Ainda que sua carreira de apresentadora tenha sido bem-sucedida, Renata Dominguez, por ora, está satisfeita enquanto atua somente como atriz. Assim mesmo, nada impede que ela acumule as duas funções, de tal forma que um programa voltado para o público adolescente com Renata apresentando esteja nos planos da Record. "Acho que daria até para acumular novela com a apresentação de um programa", torce.