Companheira inseparável da irmã Carmem Miranda e primeira cantora brasileira a gravar a música Cidade Maravilhosa, Aurora Miranda morreu ontem (22), às 15 horas, aos 90 anos, no apartamento onde vivia com o filho e quatro netos no Leblon, zona sul do Rio. Ela foi enterrada na manhã de hoje no cemitério São João Batista, em Botafogo, em homenagem acompanhada apenas pela família.

Aurora, também a primeira atriz a atuar com os bonecos de Walt Disney no cinema, deixa dois filhos e sete netos. Maria Paula Richaid, filha de Aurora, disse que a morte foi tranqüila, provocada pelos problemas de saúde naturais da sua idade.

Segundo Maria Paula, nos últimos três anos, Aurora foi perdendo progressivamente a vitalidade e a memória e, após uma pneumonia contraída há um ano e meio, "foi se apagando". Ela lembrou que a mãe tinha uma ligação muito forte com Carmem Miranda, com quem chegou a morar por um período nos Estados Unidos.

Maria Paula disse que, mesmo após a morte de Carmem, em 1955, Aurora manteve a irmã como uma referência para os filhos. Antes de ir com a irmã para os Estados Unidos, Aurora se apresentava com Carmem, com enorme sucesso, no Cassino da Urca, uma histórica casa noturna do Rio que teve seu apogeu na década de 1940.

Juntas, elas participaram de Alô, Alô, Carnaval, clássico do cinema brasileiro dirigido em 1936 por Adhemar Gonzaga. É delas a cena final em que cantam a célebre Cantoras do Rádio. Para Maria Paula, a mãe abriu mão do sucesso movida pela enorme admiração que nutria pela irmã.

"Ela teve uma vida muito ativa, de muita alegria e vitalidade", recordou Maria Paula. A missa de sétimo dia em homenagem a Aurora será celebrada na terça-feira, na Igreja Santa Margarida, na Lagoa, na zona sul do Rio.