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O prédio foi inaugurado pelo presidente Juscelino Kubitschek.

A reforma da Casa do Estudante Universitário (CEU), autorizada pelo prefeito Beto Richa no dia 26 de junho, garantirá também a preservação da memória da arquitetura e da história política recente do Paraná. O prédio, inaugurado pelo presidente Juscelino Kubitschek, em 26 de abril de 1956, é um marco na arquitetura moderna na cidade. O projeto é do engenheiro e arquiteto Ernesto Guimarães Máximo. A CEU também serviu de moradia para jovens que viriam a fazer parte da história política de Curitiba, do Estado e do País.

Esta será a primeira reforma do prédio, que quase não sofreu alterações. No térreo, os amplos salões têm tetos de estuque e ainda algumas antigas luminárias incandescentes cobertas com globos de vidro importado. O pátio de entrada, com vistosas colunas, também serve de abrigo para motocicletas de moradores. Na biblioteca, parece que o tempo parou, com prateleiras de madeira guardando livros antigos, enquanto a sala de visitas Hermínia Lupion, homenagem à idealizadora da CEU, é freqüentada por um solitário professor de música. Todas as tardes, o trombonista Humberto Monteiro ensaia na sala, observado pelo quadro de Hermínia, mulher do então governador Moysés Lupion. A pintura clássica mostra a primeira-dama paranaense na inauguração da CEU.

A casa tem 220 moradores, estudantes de universidades de Curitiba. Nenhum deles pode ser considerado famoso, mas o histórico da casa é de revelar grandes personagens. Moraram ali no passado os estudantes José Richa (ex-governador do Paraná), Orlando Pessuti (vice-governador), Borges da Silveira (ex-ministro), Reinhold Stephanes (ministro da Agricultura), Maurício Ferrante (secretário municipal de Projetos Especiais) e Afonso Antoniuk (neurologista renomado).

O estudante de ciências sociais Bohdan Metchko Filho, presidente da Fundação CEU, não tem pretensões políticas, mas foi habilidoso para conseguir a reforma, um investimento de R$ 2,3 milhões da Prefeitura. Num encontro com o presidente da Câmara Municipal, João Cláudio Derosso, no ano passado, ele viu na agenda do vereador o telefone do prefeito Beto Richa. Metchko Filho telefonou para o prefeito e conseguiu sensibilizá-lo da importância da reforma. ?O prefeito Beto Richa teve atitude e a determinação de ajudar os estudantes, que necessitavam de melhores condições de vida?, diz Metchko Filho.

Com a reforma, a Casa do Estudante Universitário poderá ter novamente seus dias de glória, como local de discussão política e cultural. Nos anos 70s, a CEU foi espaço diferenciado, abrigando shows de Inezita Barroso, Raul Seixas e Gilberto Gil. ?Foram os anos dourados da CEU. Inezita cantou no restaurante e precisou subir em uma mesa para ser vista por todos. Gil sentou no chão de cimento, no hall de entrada, dedilhou o violão e cantou as melodias então consagradas?, diz Alcebíades Cordeiro dos Anjos, 69 anos, funcionário e morador da CEU desde 1959. ?Curitiba será sempre grata ao prefeito pela reforma, que beneficia pessoas de todo o Brasil que têm na Casa do Estudante uma referência pessoal e histórica.?