Quando Edward Snowden revelou detalhes assustadores sobre esquemas de vigilância e espionagem mundial executados pela NSA (a norte-americana Agência de Segurança Nacional), Alec Empire, líder da banda alemã Atari Teenage Riot, não sabia se o sabor era doce ou azedo. A banda, que sempre se intitulou anarquista tecnológico, usava seu hardcore eletrônico para quebrar a euforia digital iniciada na década de 1990. Em contato com hackers e cultura cibernética, Empire diz que suspeitava de ações como aquelas expostas por Snowden. “Só não tinha ideia de até onde iria isso tudo”, contou o músico.

O Atari Teenage Riot usa de crítica política como inspiração para todas as faixas. São punks do novo século, quase como agentes criados para tentar evitar que o futuro de Matrix, trilogia de filmes dos irmãos Wachowskis, se torne realidade.

Prestes a se apresentar em São Paulo pela terceira vez, depois de shows em 1998 e 2012, Empire explica que o novo álbum do grupo formado ainda por Nic Endo, CX KiDTRONiK e Rowdy Superstar, foi impactado diretamente pelas revelações de espionagem. Diferentemente dos outros discos, cujas mensagens soavam mais sombrias, desta vez a ideia era “fazer com que as pessoas entendessem que era melhor se recompor e tentar entender o que aconteceu”, explicou. Daí o nome de Reset, escolhido para o quarto álbum do grupo, lançado no ano passado.

São as canções deste trabalho que definirão a apresentação do ATR, como conta Empire, mas se existe alguma positividade nas mensagens da banda, não espere por um show mais mansinho. Conhecida por criarem pequenas revoluções a cada performance, a banda pretende incendiar o Cine Joia nesta quarta, 19, às 23h. “Sim, fazemos música eletrônica, mas nada é previsível num show nosso. Esse é o grande barato”, contou Empire. “Nas últimas passagens pelo Brasil, as pessoas subiam no palco. Gosto de não saber o que vai acontecer, dessa imprevisibilidade, entende?” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.