O Brasil produz muito heavy metal e isso deveria ser cada vez mais valorizado por aqui. Essa é a visão que temos quando ouvimos o novo disco da banda paulista Armored Dawn, que foi lançado no mês passado e é um convite a entender o que de melhor é feito em nosso país e acaba sendo muito consumido lá fora. Viking Zombie, o terceiro álbum da banda, é totalmente conceitual e apresenta ainda mais a essência do grupo, que se envolveu no projeto do começo ao fim.

A Tribuna do Paraná foi convidada para acompanhar o lançamento do projeto, em São Paulo. Gravado totalmente na capital paulista, Viking Zombie foi produzido, mixado e masterizado pelo baterista da banda, Rodrigo Oliveira, e por Heros Trench, guitarista da banda Korzus, grande nome do metal nacional que também agora abraça a Armored Dawn como baixista.

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Viking Zombie foi idealizado como um disco conceitual, com músicas que se entrelaçam entre elas, por meio da história de um guerreiro que foi impedido de morrer a partir de um pedido aos deuses. Por conta de sua condição, esse viking não consegue receber a gratificação que é concedida aos guerreiros que morrem em batalhas e as músicas se dão a partir de toda essa fantasia.

Mas, conforme os próprios músicos evidenciaram, embora tenha uma narrativa fantasiosa, o disco pode ser interpretado com o olhar da realidade de um roqueiro. “Nós pensamos muito nas pessoas que têm tatuagem, que usam brinco, que têm cabelos compridos. Porque são realmente pessoas discriminadas na sociedade. Quisemos um personagem que tivesse a força do viking e a imortalidade de um zumbi”, explica o vocalista, Eduardo Parras.

Rodrigo de Oliveira destacou que o disco representa muito bem exatamente essa parcela do público do rock, que basicamente tem um estilo diferente do que a sociedade impõe como ‘comum’. “É a maldição que temos de ser rejeitados em vários momentos, seguidos no banco e outras coisas, por termos cabelo cumprido, tatuagem, pela cor da pele. Todos nós sofremos esse tipo de preconceito”.

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Foto: Reprodução/Instagram Armored Dawn.
Foto: Reprodução/Instagram Armored Dawn.

Projeto ousado

Embora já tenha um público fidelizado lá fora, principalmente na Europa, a ideia do novo disco foi discutida entre a banda porque havia a preocupação sobre o assunto, afinal de contas abordar a temática viking teria que ser um cuidado a mais para não ser confundido com a questão de religião. “É por isso que nós deixamos bem claro que não somos um ‘viking metal’, somos uma banda de heavy metal que toca temas vikings”, explicou Eduardo Parras.

Para a banda, foi um desafio muito grande a temática do novo álbum, mas as respostas foram positivas, tanto é que a banda já fez turnês pela Europa. “Talvez o maior desafio seja chegar na Europa e ser aceito, por ser brasileiro, tocando temas do Norte da Europa. Nós poderíamos ter feito temas brasileiros também, seria muito legal, mas acho que talvez este seja um passo que as bandas nacionais hoje em dia deveriam pensar”.

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Foto: Reprodução/Instagram Armored Dawn.
Foto: Reprodução/Instagram Armored Dawn.

Feito aqui e com orgulho!

Conforme o cantor, a ideia da banda também foi fazer com que o trabalho fosse inteiro produzido no Brasil, justamente para mostrar aos outros países que aqui se pode, sim, fazer algo com qualidade. “Nós percebemos a força do heavy metal no Brasil, que começou a se movimentar de uma forma muito grande. Nossa dúvida era se produzíamos o álbum inteiro aqui ou se pegávamos o trabalho de algum europeu, mas numa conversa com o Rodrigo [baterista], imaginando que tenhamos muitas grandes bandas e produtores daqui, tivemos a intenção de fazer um material totalmente brasileiro para que quando a gente fosse tocar fora do Brasil nós também tivéssemos muito orgulho do nosso país e das nossas bandas”, comentou Eduardo. Ouça o novo disco:

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