Segundo o diário The Guardian, mais da metade dos 40 singles mais vendidos no Reino Unido no ano passado eram músicas com vocalistas convidados. A estratégia jogou holofotes em nomes até então profundamente desconhecidos na música pop, como Sam Smith (que gravou o hit La La La, dos Naughty Boys) e John Newman (que gravou Feel the Love, do Rudimental).

Bandas projetos ou artistas de ponta disseminaram essa estratégia principalmente a partir dos anos 1990, com maior ou menor eficácia nos resultados. Moby, por exemplo, sempre usou grandes cantoras em suas faixas (como Pilar Basso e Reggie Matthews), mas poucas alçaram o estrelato sozinhas.

O Massive Attack também se valeu do mesmo sistema em seus primórdios, com convidados como Sarah Jay, Horace Andy, Shara Nelson e até Tracey Thorn, do Everything but the Girl.

A banda inglesa Incognito foi a que usou com menos personalismo o “feature”. Liderada sempre pelo guitarrista e produtor Jean Paul Maunick, o Bluey, o grupo teve vocalistas como Vanessa Haynes, Nathalie Williams, Carleen Anderson e Tony Momrelle.

“O que aconteceu nos anos 1980 é que as companhias de discos puseram mais ênfase na produção do que no artista. Houve um barroquismo, elementos demais, significado de menos”, disse Bluey ao jornal O Estado de S,Paulo, há um ano, explicando que o feature foi fruto de um estratagema de rejeição de um modelo.

O trip hop passou a usar convidados especialmente porque derivava do acid jazz da década anterior – que já tinha vocalistas especiais extraordinárias, como o Jazzmatazz. A música eletrônica foi se sofisticando nessa direção, culminando em projetos como o neojazz do De-Phazz, que esteve recentemente no Brasil.

O De-Phazz é principalmente a viagem do cérebro do DJ e produtor alemão Pit Baumgartner, um apaixonado por Ella Fitzgerald. Baumgartner funde jazz com música eletrônica com um time de membros “volantes”, no qual pontifica a cantora Barbara Lahr.

A França adotou sem parcimônia o sistema. O grupo de neobossa Nouvelle Vague, liderado pelo produtor Marc Collin, escalou desde sempre um time de cantoras excepcional (como Karina Zeviani, Helena Noguerra, entre outras). Mas um time mal creditado, o que lhes valeu acusação de sexistas.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.