Embora tivessem escravizado índios durante o processo de colonização do País, os bandeirantes paulistas não eram assassinos sanguinários, como querem fazer crer alguns setores da sociedade atual, afirma o escritor Sérgio Coelho de Oliveira, de Sorocaba. Autor do livro “Baltazar Fernandes, culpado ou inocente?”, lançado em 2014, ele resolveu se manifestar depois da pichação do Monumento às Bandeiras, no Parque Ibirapuera, na quinta-feira, 29. Durante protesto contra a tarifa de R$ 3,50 do transporte urbano, black blocs picharam o monumento com a frase “bandeirante é assassino”.

Segundo Oliveira, a acusação se deve a publicações que atribuíram erroneamente ao bandeirante Baltazar Fernandes, fundador de Sorocaba, a morte do padre Diego de Alfaro, durante uma batalha contra índios na atual região das Missões, entre o Rio Grande do Sul e o Paraguai. “É verdade que Baltazar Fernandes participou das bandeiras de apresamento de índios ao lado do seu irmão André Fernandes, em regiões do Paraguai. Isto é tão verdadeiro que ele se casou com a castelhana Maria de Zunega, entre 1629 e 1630, antes de vir a fundar Sorocaba. Não há nada, porém, que o relacione à morte do padre.”

Ele decidiu pesquisar e publicar o livro depois de se deparar com a pichação de um anexo da Catedral de Sorocaba com a frase: “Baltasar assassino!” Oliveira constatou que a acusação sem fundamento foi publicada em jornais, está no Google e no programa de genealogia dos Mórmons, sendo acessível a milhares de internautas. Segundo ele, essa “ojeriza generalizada” de que nas últimas décadas tornou-se alvo o bandeirante se deve ao uso indevido dos parâmetros atuais dos direitos humanos para mensurar a ética do tempo das bandeiras.

O escritor relata a importância das bandeiras, grandes expedições organizadas pelo governo ou por sertanistas que, com o propósito de descobrir as riquezas minerais, expandiram as fronteiras do Brasil. “Herói como agente da expansão territorial do Brasil e como responsável pelo ciclo do ouro, o bandeirante carrega a pecha de vilão no trato que dispensava aos nativos. É preciso lembrar que, nos primeiros anos da formação de São Paulo, os índios eram hostis, assaltavam as povoações e matavam os colonizadores.”