Os anos 80s nunca saem de moda, principalmente para quem viveu o que é uma das épocas mais evidentes da qualidade da música popular brasileira. Mais do que uma viagem ao passado, o novo trabalho do Biquíni Cavadão, 80 Volume II, que chega ao mercado em novembro, é uma afirmação de que ainda existe qualidade no mundo fonográfico.

O DVD, gravado ao vivo no Circo Voador palco de estréia de diversos grupos daquela geração, traz uma série de grandes sucessos dos anos 80s, com uma nova roupagem.

Entre as atrações do álbum, estão grandes nomes da música brasileira. Em entrevista exclusiva para O Estado, o vocalista Bruno Gouveia e o baterista Álvaro Birita comentaram o novo trabalho e analisaram o atual momento que atravessa a MPB.

Para Bruno Gouveia, as letras das músicas dos anos 80s são muito atuais e têm uma contemporaneidade que atravessa o tempo. “As composições daquela década não são como as da Jovem Guarda, onde as gírias caíram de uso. As gerações mais novas não sabem o que é um broto legal, uma garota papo firme, ou uma brasa, mora? Já as críticas sociais dos anos 80s permanecem vivas”, afirma. Bruno conta que o teor crítico de Marvin e Zé Ninguém, por exemplo, continuam pertinentes nos dias atuais.

O tempero do DVD é a nova roupagem que o Biquíni aplica aos grandes sucessos de 20 anos atrás. Para os integrantes da banda, não faria sentido regravar essas músicas se não houvesse um processo novo de arranjo e um bom intérprete vocal.

Reeditando o que já havia no primeiro disco 80s, que contou com a participação de outros roqueiros e rapers, 80 Volume II traz um mix de expoentes de outros estilos musicais. Como Cláudia Leite (do axé baiano) e Udson (da dupla sertaneja Edson e Udson).

Faz uma participação também o vocalista do Detonautas Rock Club, Tico Santa Cruz. Para Bruno, essas participações mostram a importância que o rock nacional tem diante do vasto campo cultural brasileiro.

“Tivemos a Cláudia Leite gravando um sucesso dos paralamas. Ela ficou felicíssima em poder participar da gravação. Isso reflete a influência que o movimento de bandas dos anos 80’s tiveram sobre os outros estilos”, conta Bruno. Entre os sucessos que o Biquíni Cavadão reapresenta no novo trabalho estão Índios, Marvin, Romance ideal, Exagerado e Música urbana.

Bruno afirma que a proposta do novo trabalho não é voltar ao passado, porém comemorar os anos da geração 80. “Nos orgulhamos dessa época e nos preocupamos com a necessidade de a música boa ocupar um espaço que está sendo tomado por outros tipos de música”, afirma Bruno.

“Temos capacidade, propriedade para fazer isso e fazemos isso com personalidade. A gente dá uma caracterizada na obra. Como aconteceu com a música Chove Chuva, de autoria do Bem Jor. Todo mundo pensa que é de nossa autoria.”

A banda, que faz show em Foz do Iguaçu no final de outubro, não sabe ainda quando vai voltar a se apresentar em Curitiba. Porém, os integrantes, que não escondem a vontade de voltar a sentir o calor do público da capital, já deixam o público curitibano com água na boca.

“O legal é que sempre somos lembrados aonde vamos. Nosso público não é restrito apenas aos fãs mais maduros. Nossa música passa de pai para filho. Esse é o legado dessa década”, diz Bruno. O vocalista ressalta que disco ao vivo é uma homenagem aos que sempre acreditam nesse legado do roque brasileiro.