Em Cannes, são raras as coletivas de imprensa com filmes de outras mostras que não a principal. Mas houve, este ano, coletiva de Sofia Coppola, que abriu Un Certain Regard com “Bling Ring”. O filme estreia nesta sexta-feira nos cinemas brasileiros com um acréscimo ao título “Bling Ring: A Gangue de Hollywood”.

É discutível que o público de “Harry Potter” queira ver a intérprete de Hermione, Emma Watson, num raro papel fora da franquia. A atração do filme é mesmo sua diretora e roteirista. Pode ser que, na sua estreia, com “As Virgens Suicidas”, Sofia fosse a filha de Francis Ford Coppola. Ela adquiriu projeção própria e hoje, brincadeirinha – considerando-se que Francis Ford filma tão pouco -, ele se arrisca a virar o pai de Sofia Coppola.

Ela ri dessas afirmações que pretendem ser apenas divertidas, porque não deve ter sido fácil, para quem já ‘fracassara’ como atriz – em “O Poderoso Chefão III” -, afirmar-se como autora à sombra de um nome tão famoso. Ela admite que muito do estranhamento em seus filmes vem do pai, ou da filiação. Os filmes de Sofia falam sempre de ‘estrangeiros’, desse sentimento de se sentir ou saber transitório no mundo. “Lost in Translation”/Encontros e Desencontros. É o que lhe interessa mais uma vez. “The Bling Ring” é um filme geracional, sobre jovens perdidos em suas conexões íntimas, criados à sombra de celebridades que seguem, admiram e, muitas vezes, invejam.

Embora, até por sua filiação, não seja alheia à cultura das celebridades e da moda, Sofia Coppola jura que o mundo de “Bling Ring” não é o dela. “Não fiz esse filme para falar de mim mesma, mas posso, e estou, falando da minha geração, ou de uma geração que veio depois. Afinal, já passei dos 40.” “Bling Ring: A Gangue de Hollywood” é sobre um grupo de jovens obcecado por aquilo que se chama de ‘glitzy culture’, e a diretora explica: “É uma coisa muito particular de Los Angeles, embora acredite que jovens de outros países e culturas possam se identificar com as personagens de meu filme. Em LA, jovens de todas as camadas sociais vivem muito próximos de um mundo de glamour ao qual a maioria não tem acesso. Essa garotada me interessava por estar numa fase de construção da própria identidade, de ainda não ter ideias próprias e ser tão permeável aos apelos da massificação”.

O filme inspira-se na história real do grupo de jovens, liderado pela personagem de Emma Watson, que roubou as casas de celebridades. Tudo começou com essa obsessão de seguir as celebridades pela internet. Um dos amigos rastreia as casas de famosos que estarão vazias porque eles estarão em outras cidades ou locais, e o grupo então faz a apropriação. Rouba joias, roupas. A celebridade, aos olhos do fã ou seguidor, impõe tanto pelas atitudes quanto pelo que está usando. Como se trata da apropriação de itens caros – de grife -, os roubos de repente não são só uma brincadeira de adolescentes, mas mobilizam a polícia porque envolvem milhões de dólares. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

BLING RING: A GANGUE DE HOLLYWOOD

Direção: Sofia Coppola. Gênero: Drama (EUA/ 2013, 90 min.). Classificação: 16 anos.