Não se sabe exatamente o porquê, mas o Bolshoi ainda exerce fascínio sobre os amantes da dança clássica e até sobre os leigos, que pouco têm contato com a arte. A admiração vem de uma era em que os russos eram sinônimo de “os melhores” bailarinos do mundo.

Criado em 1776, o teatro (cujo nome significa grande) sobreviveu ao fim do czarismo, ao período comunista – foi no Bolshoi que a formação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) foi proclamada – e à Segunda Guerra Mundial.

Mas o duro golpe veio com as dificuldades financeiras decorrentes do declínio da União Soviética, a partir dos anos 1980. Após a dissolução da URSS, em 1991, o teatro – que desde o século 18 era mantido pelo Estado – teve de se adequar à economia de mercado. Durante a década de 1990, foram muitos os boatos sobre a crise e a falência do Bolshoi. A falta de verba afetou a qualidade das produções, e a companhia ficou anos sem produzir novas estrelas.

A recuperação veio só a partir dos anos 2000, quando o teatro começou a retomar o controle de sua marca e se abrir para novas produções. Jovens estrelas ganharam fama mundial, entre elas Svetlana Zakharova, Ivan Vasiliev (que estará no Brasil) e Natalia Osipova (hoje no Royal Ballet, de Londres).

Mas toda a glória do Bolshoi não o livra da mácula de alguns escândalos. O mais recente e grave aconteceu em 2013, quando o diretor do balé, Sergei Filin, teve o rosto queimado por ácido. O atentado foi encomendado pelo bailarino Pavel Dimitrichenko. A crise foi agravada por denúncias de corrupção.

A última vez em que passou pelo Brasil, em 1999, o Bolshoi ainda não havia achado seu novo caminho. Agora, o público espera ver no palco o renascimento do grande balé russo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.