Em 2008, a banda psicodélica amalucada Flaming Lips colocou em uma canção aquilo que muitos especulavam na música pop: “David Bowie está morrendo?”, era no nome da faixa (Is David Bowie Dying?, em inglês. O sumiço do camaleão durante os anos 2000, levantava suspeitas de que seu estado de saúde era mais grave do que havia se divulgado na época. Os mais catastróficos – como é comum na cultura de celebridades – supunham que Bowie morrera, mas o fato havia sido encoberto pela família e pessoas próximas.

O fato é que desde a turnê do disco Reality (2003), David Bowie, morto neste domingo, 10, 8 anos depois da canção do Lips, nunca mais voltou à estrada. A despedida teve início em julho de 2004, quando foi atingido por um pirulito no olho em Oslo e, na outra semana, e sentiu uma forte pontada no peito durante uma performance no Hurricane Festival, em Scheessel, na Alemanha.

Supôs se tratar de um nervo pressionado no ombro direito, mas o diagnóstico médico foi mais grave: David Bowie estava prestes a ter um ataque fulminante. Seu coração dava sinais de que era hora de descansar.

Depois do episódio, foram poucas aparições ao vivo, no palco, onde pertencia. A última apresentação se deu em Nova York, em 2006. Desapareceu por anos.

A figura de Bowie, mítica, era vista aqui e ali, perambulando pelas ruas de Nova York, cidade onde escolheu como morada para a aposentadoria.

Falou-se que o câncer estava derrubando o mito, mas, na ocasião, durante aquele período de inatividade, de 2006 até 2013, ano que retornou retumbante com o surpreendente The Next Day, era mais provável que Bowie preferia ficar calmamente em casa, assistindo desenhos animados com a filha mais nova, Alexandria Zahra Jones, nascida em 2000, do que produzindo músicas e viajando pelos palcos do mundo todo.

David Bowie sucumbiu mesmo ao câncer. Lutou contra a doença por 18 meses, como a família revelou neste segunda-feira, 11, e o fez como melhor sabia, ainda compondo, ainda dando luz a mais canções. Blackstar, o mais recente disco, foi lançado no dia do seu 69 aniversário, em oito de janeiro. Dois dias antes do adeus derradeiro – e verdadeiro.