Quando ouviu Simone Mazzer cantar “Babalu” na gravação do “Som Brasil” que homenageou Angela Maria, Fafá de Belém não disfarçou a surpresa com a voz potente da cantora. Da área do palco onde se encontrava, a veterana acenava com sinais de aprovação à novata.

Entusiasmada também ficou a própria Angela Maria. O mesmo vale para Ronaldo Bastos depois que o letrista a ouviu cantar num show. A ponto de Bastos incentivá-la a gravar um CD. Pois tal desejo está em vias de se concretizar.

Através do projeto contemplado na seleção pública do Petrobras Cultural, a cantora prepara seu primeiro CD solo e inicia pelo Paraná a turnê que fará pelo país. Os primeiros shows acontecem, dias 22 e 23, respectivamente nos Sesis de São José dos Pinhais e de Curitiba.

Essa “artista completa”, que pode misturar nos shows Ithamar Assunção e Björk, teve seu interesse pela música despertado na adolescência, em Londrina (PR), por expoentes do rock inglês. Sob a conivência de um amigo, a garota ia à loja de discos onde ele trabalhava ouvir os últimos lançamentos do Police e do Sex Pistols, entre outros. Se não estivesse na loja, era certo encontrá-la nos ensaios do grupo Chaminé Batom (cujo nome foi retirado do cenário de uma ópera de Philip Glass).

A vocação de cantora foi descoberta por acaso, num karaokê. O grupo não sabia que aquela jovem assídua nos ensaios escondia uma cantora. E que cantora! Simone era a lenha que faltava para a Chaminé soltar mais fumaça ainda. Com ou sem batom.

No início dos anos 90, o grupo ficou enxuto. O mesmo não aconteceu com a agenda de shows, impulsionada pelo sucesso na rádio local de “Mente, Mente” (Robinson Borba), faixa do LP de estreia do grupo — o primeiro de Londrina, aliás, a lançar um disco. Em um show onde eram esperadas 500 pessoas, era comum a moçada se surpreender com 3.500 pagantes. Londrina estava ficando pequena para a Chaminé Batom e, é claro, para o talento de Simone Mazzer.

Mas é pelas mãos do teatro que a artista chega ao Rio. Tendo passado, em 1994, a conciliar o trabalho do Chaminé com o do Armazém, vem à Cidade Maravilhosa apresentar parte do repertório da companhia teatral. A artista cai de amores pela cidade (onde vive há 14 anos) e onde retoma sua porção cantora em 2004.

Depois de conciliar teatro e música anos a fio, Simone Mazzer vê que é hora de dar mais atenção ao lado cantora e está sendo produzida pela Cajá Arquitetura Cultural. Um reflexo disso é a agenda crescente de shows, nos quais apresenta novas leituras para canções consagradas — “Vaca profana” (Caetano Veloso), “Móbile” (Moska) etc – além de temas inéditos.  Resgatada do Chaminé Batom, “Mente Mente” ganhou nova leitura e clipe.

Registros ao vivo da intérprete têm atraído grande número de internautas. E não para por aí. Ela tem shows marcados em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Brasília e Belo Horizonte. Sem falar que o CD vai suscitar uma agenda de apresentações em novas praças. Aos poucos, o Brasil conhecerá o talento musical de Simone Mazzer. Abram alas!

Serviço
Simone Mazzer – Cabaré Batom
Datas: 22 e 23 de novembro 2013
Hora: 20h
Ingresso: R$ 10,00 e R$ 5,00 para trabalhadores da indústria, estudantes e terceira idade
Classificação: 14 anos
 
Locais:
Dia 22: Teatro do SESI – São José dos Pinhais
End: Rua XV de novembro, 1800 – Centro – São José dos Pinhais
Fone:41 33984100
 
Dia 23: Teatro do SESI – Portão
End: Rua Padre Leonardo Nunes, 180 – Portão – Curitiba
Fone:(41) 3271 8469