São Paulo (AE) – A dedicação da escritora Nélida Piñon em passar cinco anos às voltas com a cultura árabe, lendo o Corão (livro sagrado dos muçulmanos) e estudando a história e a mitologia dos povos do Islã, começa a render frutos: o livro Vozes do deserto (Record), fruto ficcional dessa pesquisa, foi anunciado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) como um dos dez finalistas ao Prêmio Jabuti deste ano na categoria romance.

Os indicados em 17 categorias, serão novamente avaliados até a divulgação dos três primeiros de cada área, no dia 31. A entrega dos troféus será no dia 20 de setembro no Memorial da América Latina.

Nélida, que recentemente venceu o Prêmio Príncipe de Astúrias das Letras, terá adversários distintos, desde Luis Fernando Verissimo, com O Opositor (Objetiva), até João Gilberto Noll, com Lorde (Editora Francis). Concorrem ainda Boris Schnaiderman (por Guerra em surdina, Cosac Naify) e Flávio Moreira da Costa (O país dos ponteiros desencontrados, Agir).

Entre os poetas, a lista também é diversificada. Waly Salomão, autor de Pescados vivos (Rocco) e que morreu em 2003, disputa o prêmio com um assíduo freqüentador, Manoel de Barros (Poemas Rupestres, Record), e com um nome já desprovido da condição de iniciante, Eucanaã Ferraz, que concorre com seu terceiro livro, Rua do mundo (Cia. das Letras).

Entre contistas/cronistas, os finalistas apresentam estilos diversos. Há desde tramas cuidadosamente construídas, como as do embaixador Edgard Telles Ribeiro ?Histórias mirabolantes de amor clandestino?, Record, até as colagens criativas de Valêncio Xavier (Crimes à moda antiga, Publifolha). A lista dos indicados está no site da instituição: www.cbl.org.br