O sonho que a cantora escocesa Susan Boyle começou a viver em abril deste ano ao emocionar milhões de espectadores e os jurados do programa de calouro “Britain’s Got Talent” está longe de terminar.

Tudo porque sua interpretação de “I Dreamed a Dream” – do musical “Os Miseráveis” -, rendeu-lhe um polpudo contrato com a Sony e um disco, que há dias lidera as paradas de sucesso britânicas, com a impressionante marca de mais de 410 mil cópias vendidas. É este álbum, responsável por desbancar o antigo recorde do Arctic Monkeys, de 360 mil discos vendidos em uma semana, que acaba de chegar ao Brasil.

Susan Boyle, como se sabe, é um fenômeno das massas que, se bem explorado, como vem sendo, tende a pulverizar marcas e índices de vendas. O segredo para a escalada astronômica do álbum é simples: repetir a fórmula de sucesso feita com um repertório recheado de clássicos do pop interpretados por uma cantora talentosa, amparada por um instrumental rasteiro e superficial, de imediata absorção.

Mesmo não tendo a veia de compositora, Susan Boyle pinçou canções cujas letras contam uma história de superação e vitórias pessoais em seu primeiro disco. Susan fez questão de registrar no encarte considerações sobre cada uma das faixas, a maioria reafirmando os obstáculos que deixou para trás, com dedicatórias para sua mãe, morta em 2007.

O que deixa a desejar, porém, são os arranjos e interpretações padronizadas. Mudam os gêneros, mas mantêm-se a mesma formação instrumental e maneira de tocar. Nem os clássicos de Madonna (“You’ll See”), Mick Jagger e Keith Richards (“Wild Horses”) e Arthur Hamilton (“Cry Me a River”) escaparam.

São 12 faixas interpretadas da mesma maneira, geralmente iniciadas com a voz de Susan acompanhada apenas de um piano, com dinâmicas muito parecidas e refrões cantados por coros.

Susan também gravou canções com mensagens religiosas, como “How Great Thou Art”, “Up to The Mountain”, “Amazing Grace” e a natalina “Silent Night” (Noite Feliz).