Peladar por países da América Latina e da África, enfrentar o frio, a chuva e os mais inóspitos ambientes em busca do pagamento de uma promessa. Essa tem sido a rotina do sul-mato grossense Antônio Rogério do Nascimento, que há 18 anos viaja a bordo de uma bicicleta. Depois de percorrer toda a América Latina, além de outros três países africanos, o ciclista chegou a Curitiba com milhares de fotografias e uma história repleta de aventuras na bagagem.

Natural de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, Nascimento decidiu pegar a estrada em 1993. De lá para cá, ele acumulou um enorme material com fotos e jornais por onde passou. Ao todo são cerca de 60 quilos que o ciclista carrega, contando a “magrela”, além de uma muda de roupas, uma pequena barraca e ferramentas. Para encarar a estrada, ele também está sempre munido de uma câmera fotográfica e de muita água.

Segundo o aventureiro, a vontade de ganhar o mundo pedalando ganhou força ainda na adolescência, quando ele tinha 15 anos. “Nasci desenganado dos médicos, com apenas um rim e um pulmão. Há 18 anos eu fiz uma promessa para Deus e para Nossa Senhora de Aparecida, de que pedalaria por 30 anos em agradecimento pela vida. Faltam 12 para terminar”, revela.

Ao todo, o ciclista conta pedalou 127.593 quilômetros até hoje. Para percorrer todos os 20 países da América Latina, ele afirma que viaja cerca de 150 quilômetros por dia.

Para viabilizar as viagens, o ciclista afirma que vem contando com o apoio de consulados do Brasil e de órgãos ligados ao esporte dentro do País. Conta com ajuda de caminhoneiros, que são os que mais apóiam com o que podem, desde comida até dinheiro.

“O melhor das viagens são as pessoas. Em Angola e em Luanda, as pessoas, que me trataram super bem, ficaram admiradas em ver um brasileiro apenas com uma bicicleta e tão longe de casa”.

O aventureiro conta, no entanto, que nem tudo foram “rosas” pelos locais onde esteve. Segundo ele, foram inúmeras as tentativas de assalto, algumas com sucesso. Os incidentes, inclusive, ameaçaram seriamente a vida do ciclista. “Levei dois tiros nas costas. Depois de outro assalto fui esfaqueado e precisei ficar três meses internado”, diz.

Segundo Nascimento, o último assalto ele sofreu há dois anos. “Foram quatro vezes que me roubaram a bicicleta. A minha viagem só não acabou porque as prefeituras me ajudaram a arrumar outras”. O ciclista revela que já foram cerca de dez bicicletas ao todo, durante toda a jornada.

Nascimento revela que pretende acumular 35 mil fotos dos povos e dos lugares por onde passar e, ao final de 30 anos de pedaladas, se aposentar como atleta.

O ciclista fica em Curitiba até esta sexta-feira. Depois ele parte para Belém (PA), devendo percorrer 4.753 quilômetros antes de chegar à capital paraense. “Depois vou rodar mais 8.325 quilômetros até Roraima”.