Já no palco da Lanxess Arena, em Colônia, na Alemanha, o quarteto do Red Hot Chili Peppers parecia nervoso. Não só os fãs presentes ali, mas o mundo inteiro estava assistindo à execução das músicas do então disco recém-lançado, “I’m With You”. É que naquele dia, 30 de agosto do ano passado, salas de cinema ao redor do planeta – 39 no total – exibiram ao vivo a apresentação da banda californiana.

No Brasil, o designer digital Altair Pereira, de 28 anos, sentava no cinema ansioso por aquilo. A maratona de shows da sua banda favorita começaria de forma diferente. Ao invés de estar espremido na grade para ver de pertinho Anthony Kiedis, Flea, Chad Smith e o novo guitarrista Josh Klinghoffer, ele estava sentado confortavelmente na poltrona do cinema, no shopping Santa Cruz. “É uma alternativa ótima entre ver o DVD sozinho, em casa, e assistir ao show ao vivo”, diz Altair, que mantém um fã-clube e um site da banda.

O convidativo escurinho do cinema tem sido, aos poucos, invadido pelos barulhentos shows, numa tendência iniciada há cinco anos. Na sexta-feira e no sábado, mais uma experiência como esta – de misturar a sensação de se estar num show com a de assistir a um bom filme numa tela grande – se repete com a projeção da apresentação da dupla eletrônica Chemical Brothers, gravada no Fuji Rock Festival, no Japão, no ano passado.

O filme “Don’t Think”, do Chemical, chega para completar uma lista já integrada por Foo Fighters, Kylie Minogue, U2, Iron Maiden, Rolling Stones e o já citado Red Hot Chili Peppers. Além desses nomes mais populares, há nichos que começaram a ganhar valor, com apresentações do Ballet Bolshoi e do Metropolitan Opera House, de Nova York. A rede de cinemas UCI, responsável pelos shows do Chemical Brothers e Rolling Stones, em cartaz no ano passado, também levou para as telonas Hatsune Miku e L’Arc-en-Ciel. Nomes que para você podem não dizer muito, mas os shows desses artistas japoneses lotaram as salas quando foram exibidos. “É uma grande vantagem ir ao cinema e assistir a algo que está acontecendo do outro lado do mundo”, explica Monica Portela, diretora de marketing da rede de cinemas.

O documentarista e diretor de TV Adam Smith, responsável pelo filme protagonizado por Tom Rowlands e Ed Simons, do Chemical Brothers, vê o cinema como uma ótima forma de representar o que foi o show para aqueles que não estiveram lá, ao vivo. O som com tecnologia 7.1 e as imagens rápidas na telona ajudam a criar uma espécie de hipnose entre os espectadores.

A assistente de produção Karina Diaz, de 27 anos, é representante do Foo Fighters no Brasil, mas nunca os viu ao vivo. A ida ao cinema, no ano passado, para ver o documentário Back And Forth, seguido por uma apresentação em 3D de todas as músicas do disco Wasting Light (2011), foi o mais próximo que chegou de Dave Grohl e companhia. “Era em 3D, então, passava a impressão que dava para pegar nele”, brinca. Mas nada que se compare a ver a banda ao vivo. Karina diz, orgulhosa, que o ingresso para o Lollapalooza, em abril, no qual o Foo Fighters é atração principal, já está garantido. As informações são do Jornal da Tarde.

Don’t Think – Shopping Jardim Sul (Av. Giovanni Gronchi, 5.819, Morumbi). Tel. (011) 3744-8422. Sexta e sábado, às 23h59. Ingresso: R$ 50.