Billy Wilder ganhou duas vezes o Oscar de direção – por Farrapo Humano, em 1945, e Se Meu Apartamento Falasse, de 1960. Por mais merecidos que tenham sido os prêmios, onze entre dez críticos serão capazes de jurar que Wilder merecia mais – ou que a Academia de Hollywood errou. Se era para premiar um de seus clássicos noir, Pacto de Sangue e Crepúsculo dos Deuses teriam sido escolhas mais certeiras. E, quanto às comédias, se Quanto Mais Quente Melhor foi escolhida pelo American Film Institute como a melhor de todos os tempos, como – sim, como – foi ignorada pela mesma Academia?

Quando Wilder morreu – de pneumonia, em 2002, aos 95 anos -, não dirigia havia mais de uma década. Buddy, Buddy/Amigos, Amigos, Negócios à Parte é de 1981. Não foi um fecho de ouro para uma carreira tão brilhante, mas o grande diretor passou seus últimos anos recebendo honrarias e homenagens – e também trabalhando, com espartana dedicação a projetos que nunca mais se concretizaram. Seu nome virou sinônimo de humor crítico, corrosivo. Wilder como diretor de comédias era uma consequência de seu começo como roteirista de Ernst Lubitsch. Mas Wilder fez um atalho e, antes de se estabelecer como rei do humor, exercitou-se no cinema noir.

Todo Wilder estará agora de volta na grande retrospectiva que o Cinesesc dedica ao grande artista e que começa amanhã (20). Todo Wilder! Para cada uma de suas fases, teve um colaborador – Charles Brackett para os filmes noir; I.A.L. Diamond para as comédias.

Wilder nasceu em Viena, filho de um hoteleiro, em 1906. Foi jornalista e roteirista de Robert Siodmak. Conta a lenda que teria tentado entrevistar o próprio Sigmund Freud. O advento do nazismo levou-o a fugir e, antes dos EUA, ele passou pela França, onde fez o primeiro longa, La Mauivaise Graine, com Danielle Darrieux, em 1933. Nos EUA, estreou com A Incrível Suzana, nove anos mais tarde. O filme conta a história de um homem que se envolve com uma garota disfarçada de menino, num trem. O jovem Wilder já abordava temas um tanto escabrosos, como pedofilia e homossexualismo, mas Ginger Rogers, que fazia a travesti, já era mulher, e isso saltava aos olhos.

MOSTRA BILLY WILDER – Cinesesc. Rua Augusta, 2.075, 3087-0500. Grátis. Até 4/7. Abertura amanhã (20) 20h30, com Crepúsculo dos Deuses.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.