Destacada coleção de arte brasileira por reunir, principalmente, importantes peças do movimento pop dos anos 1960-70, o acervo do empresário Roger Wright foi oficialmente cedido em comodato à Pinacoteca do Estado de São Paulo por um período de 10 anos. “A ideia é continuar renovando o contrato depois desse primeiro passo, de teste”, afirmou Christopher Mouravieff-Apostol, irmão do colecionador que morreu, com a família, em acidente aéreo em 2009 na Bahia. Em cerimônia realizada nessa segunda-feira, 16, no auditório da Estação Pinacoteca, foi assinado o termo de cessão para a instituição museológica, vinculada à Secretaria Estadual de Cultura, de 178 das 330 obras adquiridas pelo investidor e por seus filhos desde 1996.

A Coleção Roger Wright vai ganhar uma sala para sua exibição pública no quarto andar da Estação Pinacoteca. A primeira mostra do acervo está programada para maio de 2016, mas, por ora, o visitante do museu já pode ver nove de suas peças, entre trabalhos de Hélio Oiticica e de Sérgio Camargo, que integram a exposição Arte Construtiva na Pinacoteca de São Paulo, com curadoria de Regina Teixeira de Barros.

“O núcleo dos anos 1960, com o pop brasileiro, é um conjunto completo desse período que poucos museus têm”, afirmou o diretor técnico da Pinacoteca, Ivo Mesquita. As peças “politizadas” da época, entre elas, criações emblemáticas de Claudio Tozzi, Rubens Gerchman, Antonio Dias, Raymundo Colares e Nelson Leirner, vão ganhar lugar especial no prédio onde funcionou o Deops (Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo).

As 178 obras foram selecionadas pela equipe curatorial da Pinacoteca. “Muitas coisas são da intimidade da família e escolhemos o que tinha pertinência para o museu”, disse Mesquita. Do conjunto, ele calcula que 120 itens pertencem ao período dos anos 1950-70.