Oficina_de_Musica.jpgO concerto do trio russo St. Petersburg Virtuosen, às 20 horas desta quinta-feira, no Teatro Guaíra, abre a 24ª Oficina de Música de Curitiba. O espetáculo é uma das 38 apresentações que a Oficina programou para a cidade até 21 de janeiro. Além disso, até lá, mais de mil alunos participarão de 93 cursos, divididos em 8 para música eletrônica, 26 para erudita, 44 para música popular brasileira e 15 nas Ruas da Cidadania. O St. Petersburg Virtuosen é formado por Natalia Alenitsyna (violino), Pjotr Meshvinski (violoncelo) e Evgeny Izotov (piano). No concerto, eles interpretarão obras de Shostakovich e Brahms.

As principais novidades desta edição são a inclusão da música eletrônica, pela primeira vez na Oficina, e a volta das aulas nos Núcleos da Fundação Cultural nas Regionais Administrativas da cidade. "Os alunos vinham solicitando a música eletrônica por isso resolvemos trabalhar com este segmento e oferecer ao público essa novidade", diz Janete Andrade, diretora artística da Oficina de Música de Curitiba.

Outra novidade é relacionada às fases da Oficina. As oficinas de música erudita e de música popular brasileira serão no mesmo período – de 5 a 15 de janeiro – ao contrário dos outros anos, em que elas eram realizadas em etapas separadas. Com o término desta primeira fase, começa a de música eletrônica e a dos Núcleos Regionais nas Ruas da Cidadania, de 16 a 21 de janeiro.

Além da direção artística geral da Oficina, Janete Andrade será diretora de música erudita e das oficinas nos Núcleos Regionais. A direção de MPB será novamente compartilhada pelos músicos Sérgio Albach e Glauco Sölter. A música eletrônica terá a direção de James Pedrozo Pinto.

Para o professor de piano da Escola de Música e Belas Artes do Paraná (EMBAP) e musicólogo, Daniel Binotto, a música eletrônica na Oficina de Música é muito importante. "A música contemporânea que contempla também a música eletrônica é importantíssima em um evento como esse até como função social, pois transmite todo o contexto do que vivemos hoje", diz Binotto. "A oficina tem quase obrigação de trabalhar com um repertório atual como esse".

A expectativa é de que mais de 1.000 alunos participem dos cursos de instrumentos, prática de conjunto, canto e coral, além de terem acesso gratuito a 38 concertos, com apresentações de alguns dos maiores músicos da atualidade e dos próprios alunos. O eletrônico www.oficinademusica.org.br traz todas as informações sobre cursos, professores e programação geral.

Durante 17 dias de intensa programação, as aulas e concertos acontecerão em diversos espaços da cidade. As aulas serão no Colégio Estadual do Paraná, Colégio Tiradentes, Solar do Barão, Clube Concórdia, Auditórios da Paraná Educativa e Círculo Militar para a primeira fase. As aulas de música eletrônica serão ministradas no Conservatório de Música Popular Brasileira. As aulas nas Regionais serão ministradas nas Ruas da Cidadania do Bairro Novo, Boa Vista, Boqueirão, Pinheirinho, Santa Felicidade, Fazendinha e Cajuru.

A população também é esperada em grande número para os concertos, que terão preços acessíveis. O concerto especial de abertura custará R$ 40 a inteira, e R$ 20 o ingresso solidário acompanhado de uma lata de leite em pó. As demais apresentações custarão R$ 10,00 a inteira, e R$ 5,00 o ingresso solidário com uma lata de leite em pó ou alimento não-perecível.

Oficina com corpo docente de nível internacional

O corpo docente formado por 50 professores brasileiros e 20 estrangeiros, todos com nível internacional, é outro grande atrativo da 24ª edição da Oficina de Música de Curitiba. A Oficina terá professores vindos das mais importantes instituições musicais no cenário mundial, como Juilliard School of Music (Nova York), New England Conservatory (Boston), Berklee School of Music (Boston), Roosevelt University (Chicago), Schola Cantorum Basilensis (Baset-Suíça) e Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. "Com a possibilidade de estudar e conhecer professores de outros países os alunos têm a chance, em muitas vezes, de prosseguir o aperfeiçoamento dos estudos fora do Brasil com os docentes que conhecem na Oficina", diz Janete Andrade.

Entre os grandes nomes desta edição da Oficina está a flautista Carol Wincenc, professora da Juilliard School of Music, que criou e dirige uma série de Festivais Internacionais de Flauta nos Estados Unidos convidando músicos como Jean Pierre Rampal e Herbie Mann. Atualmente, Carol tem se apresentado com as seguintes orquestras: Chicago Symphony Orchestra, Detroit Symphony, Saint Louis, Atlanta e London Symphonie, BBC e Buffalo Philharmonic, Saint Paul, Stuttgart Chamber Orchestras, New York Woodwind Quintet, Lincoln Center´s Great Performers, Concertgebouw de Amsterdam, Festival Mozart e nos Festivais de Música de Aldeburgh, Budapest, Frankfurt, Santa Fé, Spoleto e Marlboro.

Na Música Popular Brasileira, um dos maiores nomes do violão brasileiro contemporâneo, Paulo Bellinati, é um dos professores convidados. Ele já gravou sete discos com o grupo Pau Brasil, uma dezena de discos solo e mais de uma centena de participações em gravações de diversos artistas brasileiros e estrangeiros, entre eles: Carla Bley, Renaud Garcia-Fons, Antonio Placer, Edu Lobo, Chico Buarque, João Bosco, Leila Pinheiro e Gal Costa com a qual ganhou o "Prêmio Sharp 94" de melhor arranjador no disco O Sorriso do Gato de Alice.

Nas minioficinas o instrumentista americano Kenwood Dennard ministra as aulas de bateria. De família de músicos profissionais, ele começou a tocar piano com três anos de idade e percussão com oito anos. Iniciou seus estudos particulares de piano com cinco anos e percussão com nove. Dennard estudou na David Mannes School e na Manhattan School of Music. O músico graduou-se com laureação máxima em Berklee, em 1976, e já tocou ao lado de músicos como Miles Davis, Charles Mingus, Virgilio Reyes, Dianne Reeves, Bob Moses, Vanessa Williams e Anthony Jackson.

Na fase de música eletrônica, grande novidade da oficina, os temas serão discotecagem, produção musical e rave. Entre os convidados está a paulista Claudia Assef, que tem feito sucesso atrás das pick-ups tocando principalmente house e disco. Ela também é jornalista especializada em música eletrônica e produziu o livro "Todo DJ já sambou".

Quem também vai animar a festa é o produtor musical e DJ Dudu Marote. Grande produtor de celebridades como Skank, Pato Fu e Jota Quest, ele está direcionado para a música eletrônica. Já lançou um selo que representa o que tem de mais moderno na música eletrônica do Brasil como os DJ`s Mao Mao e Nego Moçambique. O estilo de Dudu é o de tocar ao vivo e no palco e é ele que comanda o encerramento desta fase.

Para o diretor artístico de música eletrônica, James Pedrozo Pinto, o objetivo da oficina é o de mostrar novas possibilidades para compor. "A música eletrônica já está inserida na música popular brasileira e queremos mostrar essas possibilidades. Um exemplo é o CD Carnaval Eletrônico, de Daniela Mercury, que possui novas formas de textura e emoção musical", diz Pinto. "Como esse elenco de professores vamos mostrar um parâmetro muito bom da música eletrônica e sua produção".