A bagunça continua. Para quem passou a caótica segunda-feira em filas e não conseguiu entradas para o show do U2 em São Paulo, em 20 de fevereiro, resta esperar. A venda está suspensa e o Grupo Pão de Açúcar prometeu ligar até sexta-feira para quem recebeu senha – um folheto com número escrito à mão – informando hora e local para retirar o ingresso. Para quem nem o papel conseguiu, a esperança é que a venda para o segundo show, em 21 de fevereiro, seja menos traumática. O novo esquema, sem lojas do Pão de Açúcar, será divulgado quinta-feira. Por conta da confusão, o Procon vai notificar os organizadores do show.

O Pão de Açúcar e o empresário Alexandre Accioly, organizador do show, atribuíram o caos de ontem (16) à procura acima da expectativa. Segundo eles, mais de 100 mil pessoas passaram pelos 12 pontos-de-venda em São Paulo e no Rio. Hoje, a rede de supermercados alegou que os equipamentos instalados não atenderam à demanda e "problemas técnicos" afetaram as vendas.

Accioly e a empresa reafirmaram que o ingresso de quem tem senha está garantido. Mas hoje ninguém conseguiu pegar entrada nas lojas, ao contrário do que tinha sido divulgado na véspera pelos produtores. "Disseram que poderíamos retirar o bilhete. Até agora, nada", disse a professora Aneluise Sampaulo, de 28 anos, que deixou a loja do Shopping Villa-Lobos, zona oeste de São Paulo, só com o folheto da senha número 343 na mão. "É essa a garantia."

No Rio, a saga foi a mesma. O estudante Pedro Macedo, de 22 anos, passou 10h30 na fila na Barra da Tijuca para conseguir a senha, o que só ocorreu à 0h30 de ontem. "Se não entrarem em contato até sexta, pego outra fila."

O único lugar onde houve venda de entradas hoje foi o Estádio do Morumbi, mas ela é limitada aos donos de cadeiras cativas. Para evitar tumulto, funcionários só anotaram dados dos interessados.

A diretora de Fiscalização do Procon, Joung Won Kim, disse hoje que, se ficar comprovada irregularidade na venda dos ingressos do U2, a multa prevista no Código do Consumidor varia de R$ 200,00 a R$ 3 milhões. "À primeira vista, a principal irregularidade foi limitar os postos que vendiam a meia-entrada. Isso colaborou para aumentar a confusão." A organização do evento terá 15 dias para entregar documentos esclarecendo detalhes sobre o esquema de venda.

A revolta com tanta bagunça persistia hoje. Apesar de ter conseguido ingresso, o administrador Eduardo Quilici reuniu cerca de 150 nomes para entrar com ação judicial contra os responsáveis pelo show. Outros fãs tentaram registrar boletim de ocorrência. "A delegada alegou que não houve crime e não quis registrar o B.O.", contou Tatiane de Carvalho, de 22, que nem quer saber como será a venda para o segundo show. "Brochou total."