Navegando pela internet encontramos o som de um rapaz que canta em inglês, mas que traz uma sonoridade leve e gostosa de ouvir, com sutil inspiração em grandes nomes como John Mayer. O clipe de sua música de trabalho, Inspiration, já tem mais de um milhão de visualizações no YouTube e muita gente elogiando, mas… Quem é Lucas Paiva? Foi isso que nós da Tribuna do Paraná fomos buscar e o resultado foi surpreendente, com a descoberta de um artista que tem tudo para ganhar espaço nas playlists dos jovens Brasil afora.

Embora brasileiro, o jovem cantor, hoje aos 23 anos, passou boa parte de sua vida fora do país, morando em países como Argentina, Canadá, Estados Unidos e Inglaterra, retornando ao Brasil em 2017. Lucas descobriu que gostava de música aos 11 anos, quando entrou na banda do colégio e aos poucos foi aprendendo a tocar alguns instrumentos. “Quando vi, com 16 anos escrevia música. Fiz minha primeira, Can’t Say Goodbye, que hoje é a primeira música do meu disco, e nessa fase compus a maioria das músicas que estampam o projeto”, contou o cantor.

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Foto: Reprodução/Instagram Lucas Paiva.
Foto: Reprodução/Instagram Lucas Paiva.

A experiência de morar fora lhe deu também inspiração não só para aprender mais sobre música, mas também na questão das composições. “Minha primeira eu fiz sobre uma pessoa que nem estava por perto mais, mas que era do passado e me inspirou. Quando você mora em vários lugares, você acaba embarcando no que vai acontecendo e as coisas deixam de ser ruins pelas mudanças e passam a ser mais uma aventura”.

Lucas, que entrou numa aula de coral a partir da vontade de estar mais perto de uma ex-namorada, aos poucos foi percebendo que essa também era a profissão que queria para a vida. “Confesso que, no fundo, eu queria aprender a cantar, mas usei o namoro como desculpa para poder embarcar nisso”, brincou o rapaz. Veja o clipe de Inspiration, que fez com que chegássemos a Lucas Paiva:

Leveza na inspiração

Inspirado em nomes como Creedence, Oasis, John Mayer e One Direction, as músicas do primeiro álbum foram feitas totalmente em inglês, mas simplesmente porque era nos Estados Unidos que Lucas Paiva morava. “Tanto que o álbum levou o nome de Scape New York City, porque era realmente sobre tudo que me inspirava. Das influências musicais, John Mayer dá pra ver muito em pelo menos duas músicas, que têm uma vibe parecida”, avaliou ele, que também disse se inspirar em Skank e Legião Urbana, mas também em novos nomes da música brasileira como O Terno e Boogarins.

Seu som pode ser caracterizado como uma mistura do pop com o rock alternativos, mas Lucas disse, que não quer amarras. “Fui ao show do Thiaguinho um tempo atrás e foi muito bom. Quanto mais som eu absorvo, melhor fica o meu próprio som. Adoro também o som da Bahia, como Jamil, penso inclusive em trazer isso para um próximo álbum. Gosto muito do rock, mas tem uma coisa muito contagiante na música baiana, gosto bastante disso e quero tentar fazer um mix dessas coisas todas”.

Trazendo uma música leve, que vai bem ao encontro do que têm produzido os novos artistas da Música Popular Brasileira (MPB), Lucas Paiva disse não se prender também a uma única forma de fazer seu trabalho. “Hoje estou com 32 músicas na lista, por exemplo, então com certeza meu próximo álbum deve trazer músicas em português, se não todas, boa parte delas. Como estou morando em São Paulo atualmente, meu plano é trazer Scape São Paulo”, adiantou o cantor, explicando que não se prender a uma regra faz parte do seu estilo de ser músico. “Onde eu estou, como eu estou, somando à inspiração que vem, são os fatores que vão ditar o que vai ser”. Ouça Scape New York City, primeiro disco de Lucas Paiva:

Certeza no que quer

Com uma avaliação bem certa de que não quer holofotes e sim que seu trabalho seja bem aceito, Lucas Paiva explicou à Tribuna do Paraná que busca criar uma base de fãs fieis. “O meu trabalho no meio disso tudo é fazer música. O próximo passo é fazer bastantes shows e com isso tentar criar uma ‘fanbase’. Porque tem uma diferença entre ficar super famoso e ter uma música que estourou, mas sem uma base de fãs. Gosto dessa coisa de fidelizar o público. Tem bandas que podem até ser famosas, ou não, mas tem gente que vai ao show e é isso que eu gostaria de ter”.

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Lucas disse que espera conquistar um público que realmente consuma seu som e não só que o admire. “Quero gente que vá ao show, mas também que ouça o álbum inteiro, que acompanhe realmente. Los Hermanos, por exemplo, têm pouco mais de 100 mil seguidores no Instagram, enquanto artistas brasileiros têm milhões, mas eles têm uma base de fãs que lota estádio. Não aparecem na TV há muito tempo, mas a base de fãs os sustenta. Meu foco é isso”.

Foto: Reprodução/Instagram Lucas Paiva.
Foto: Reprodução/Instagram Lucas Paiva.

Artista completo

Com quase 15 mil ouvintes mensais no Spotify, número ainda pequeno se comparado a outros nomes da música, Lucas Paiva tem conseguido espaço onde nunca imaginou: Curitiba, por exemplo, está entre as três cidades que mais ouve seu som. “É incrível e é isso que eu busco. Gravei essas músicas em 2014 e só agora lancei. Foi uma jornada muito grande, mas é muito bom ver que pouco a pouco as pessoas estão ouvindo. Eu acho que isso é, de todas as coisas que possam acontecer, o que eu mais dou valor. Saber que tem alguém ouvindo a música e não é meu pai, minha mãe, é alguém que eu nunca vi é bem legal”.

Sendo compositor, conhecendo muitos instrumentos e cantando, podemos dizer que Lucas Paiva é um dos poucos artistas, nos dias atuais, que já chega na frente do seu tempo: tem, pelo menos, três necessidades básicas que precisaria para ser um artista completo. “No final das contas, é isso que eu quero, mostrar mais que tudo as minhas composições. Minha mentalidade é pensar que se eu passei por alguma coisa ou sinto algo, a possibilidade de alguém sentir e ter passado por isso é grande. Nas coisas que eu faço acredito nisso. Quero ser mais uma voz que talvez represente alguém, que fará com que as pessoas se relacionem com o que estou falando”.

Foto: Divulgação.
Foto: Divulgação.

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