Um festival que juntou música a uma conscientização sustentável e permitiu que opiniões diferentes no mesmo espaço não entrassem em guerra. Era o que faltava em Curitiba e, ao que tudo indica, deve se tornar orgulho para o povo que curte música por aqui. O Coolritiba, realizado no último sábado (13), trouxe um público variado a Pedreira Paulo Leminski, apresentou novos sons e permitiu uma viagem à década de 70 com os Novos Baianos.

Logo no começo da tarde, já era grande a concentração do público. Com dois palcos, o festival trouxe gente do cenário local (que ainda tentam atingir o sucesso e àqueles que já são conhecidos) numa mistura interessante de sons com os já consagrados nacionalmente.

Num compromisso de reforçar o papel transformador de Curitiba como cidade sustentável, o Coolritiba inovou já na entrada: água de graça para o público que aproveitou as mais de 12 horas de música. Mudas de várias especiarias foram doadas aos que quiseram levar para a casa uma lembrança diferente do evento. Ao todo, 12 mil pessoas aproveitaram os shows, doaram livros e vão ter suas presenças eternizadas na natureza, já que a organização vai plantar uma árvore (às margens do rio Iguaçu) para cada pagante do festival.

Foto: Divulgação/Seven Entretenimento.
Mais de 800 mudas de alecrim, pimenta, manjericão, sálvia e arruda foram distribuídas ao público. Foto: Divulgação/Seven Entretenimento.
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Água de graça foi um dos diferenciais do festival. Além de aumentar a hidratação, diminuiu o consumo de garrafas e galões plásticos. Foto: Divulgação/Seven Entretenimento.

 

 

 

 

 

 

 
No palco montado para as bandas locais, os shows foram de Naked Girls & Aeroplanes, Trem Fantasma, Nômade Orquestra, Trombone de Fruta, Francisco e El Hombre com participação da banda curitibana Mulamba. Posicionado estrategicamente próximo à entrada da Pedreira Paulo Leminski, os shows eram vistos ainda que de passagem. Os grupos, que trouxeram seus fãs, puderam mostrar seu trabalho para novas pessoas.

Banda curitibana agitou o público. Foto: Divulgação/Seven Entretenimento.
Banda curitibana agitou o público. Foto: Divulgação/Seven Entretenimento.

Do começo ao fim

No palco principal, a primeira a se apresentar foi Clarice Falcão, seguida de Céu e depois da curitibana Banda Mais Bonita da Cidade, que trouxe consigo a participação das irmãs Lilian e Layane, da 5ª temporada do The Voice Brasil, e também do ex-titã Paulo Miklos. Uyara Torrente, vocalista da banda, se sentia honrada em estar num festival em Curitiba. “Foi aqui que tudo começou, né? Então, é muito bom estar aqui. Poder mostrar que nosso cenário é rico e tem tanta gente boa”.

Momento ápice do show da banda curitibana foi com a música Oração – música conhecida no país todo. A curitibana do Alto Boqueirão, Karol Conka, que ganhou o país, também foi uma das atrações do Coolritiba. “Sinto gratidão e recebo tudo isso com muito pé no chão”, comentou Karol sobre estar no palco da pedreira. Com uma atitude mais feminista, a cantora disse que Curitiba ainda precisa entender o que é o feminismo. Veja a entrevista com Uyara, da Banda Mais Bonita da Cidade, e Karol Conka:

O duo que já pode ser considerado como o mais querido do país: Anavitória (Ana Clara Caetano e Vitória Falcão), foi um dos shows que visivelmente eram esperados pelos jovens presentes. Ana e Vitória trouxeram com elas a transformação que a Música Popular Brasileira (MPB) tem passado nos últimos anos.

Aclamadas do começo ao fim, o público cantou junto todas as canções da dupla que tem ganhado ainda mais seguidores por onde passa. As duas meninas do Tocantins, que já se apresentaram em Curitiba neste ano, contaram que, numa visita à Pedreira Paulo Leminski, sonharam em tocar naquele palco. “Colocamos a mão no palco pra ver se isso chamava e… não deu nem um mês. Estamos aqui”, brincou Vitória.

A mistura dos estilos musicais do Coolritiba trouxe ao palco Projota que, emocionado por estar em Curitiba, demonstrou enorme gratidão pelo público que o ajudou a crescer. “O primeiro show que fiz valendo cachê foi aqui, minha carreira de fato começou aqui. Curitiba foi um divisor de águas na minha vida”. Veja a entrevista com Anavitória e com Projota:

Logo depois de Projota, já na pegada mais do rap com a mistura do samba, foi a vez de Criolo num som que tinha tudo a ver com a ideia do festival. O show teve vários momentos dispensados a críticas sociais e também políticas. Muito educado, Criolo anunciou sua volta a capital paranaense em julho, no Teatro Guaíra.

Nem mesmo a chuva forte que atingiu a pista afastou o público que esperava a banda que traz consigo parte da história da música brasileira: Os Novos Baianos. Os fãs aproveitaram do começo ao fim e, de cima do palco, a energia de Baby do Brasil, Pepeu Gomes, Moraes Moreira, Paulinho Boca de Cantor e Luiz Galvão era brilhante. O cansaço de uma história longa de carreira ficou longe de transparecer durante o show.

Novos Baianos trouxeram de volta a década de 70. Foto: Lucas Sarzi.
Foto: Divulgação/Seven Entretenimento.
Público assistiu do começo ao fim, sempre alternando entre um palco e outro. Foto: Divulgação/Seven Entretenimento.

Vem 2018

O festival cumpriu sua meta: além de toda a atitude sustentável, os curitibanos puderam conviver com as mais distantes diferenças de uma forma a se aprender a respeitar o espaço um do outro. Até na política, várias opiniões diferentes ficaram lado a lado, sem guerra. Ao fim de todos os shows, ficou a promessa de que em 2018 tem mais. É isso que todos esperamos.

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Show de Novos Baianos foi presenteado com show de fogos de artifício no céu curitibano. Foto: Divulgação/Seven Entretenimento.