Foto: FCC/Divulgação

Entre as composições do CD estão músicas que lembram a cidade de Curitiba e o litoral paranaense, como Rua das Flores e Estrada da Graciosa.

A Orquestra À Base de Sopro, grupo artístico mantido pela Prefeitura por meio da Fundação Cultural de Curitiba (FCC), está entre os três finalistas que concorrem ao Prêmio TIM de Música 2008, na categoria Revelação. O grupo disputa o prêmio com o CD Mestre Waltel. A cerimônia de premiação acontecerá no próximo dia 28 de maio, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

O CD, lançado durante a Oficina de Música de Curitiba, em 2007, reúne composições de Waltel Branco e de integrantes da orquestra. O diretor artístico Sérgio Albach e o regente assistente e arranjador Gabriel Schwartz vão à cerimônia para acompanhar os resultados. Para Sérgio Albach, estar entre os finalistas de um dos principais prêmios da música brasileira já é uma vitória. ?Foi uma seleção criteriosa. Concorremos com grupos importantes de todo o Brasil. Este foi até agora o nosso vôo mais alto, fruto de um trabalho minucioso de pesquisa e gravação?, disse o diretor.

Entre as composições do CD estão músicas que lembram a cidade de Curitiba e o litoral paranaense, como Rua das Flores e Estrada da Graciosa. Também estão na lista Ninho de Cobra e Caprichoso, de Waltel Branco; Wal Tema, de Cesar Matoso; e Mestre Waltel, de Cláudio Menandro, que dá nome ao CD, ambos integrantes do grupo.

A Orquestra À Base de Sopro surgiu em janeiro de 1998, sob a direção do maestro Roberto Gnattali. No repertório da orquestra, além de mais de 40 arranjos de diversos compositores – Chico Buarque, João Bosco, Paulinho da Viola, Jacob do Bandolim, Egberto Gismonti, entre outros – estão composições dos próprios integrantes, incentivando e valorizando a produção local.

Dirigida por Sérgio Albach, a orquestra tem projetos de intercâmbio de maestros, arranjadores e solistas, além da produção de bailes de gafieira. Convidados ilustres já se apresentaram com a orquestra, entre eles Léa Freire, Roberto Sion, Mauro Senise, Toninho Ferragutti, Laércio de Freitas, Proveta e Itiberê Zwarg. A orquestra – que conquistou em 2002 o prêmio Saul Trumpet de melhor grupo instrumental -tem como objetivo a divulgação da música brasileira, desde as bandinhas de coreto à música instrumental contemporânea, passando pelas orquestras de gafieira, de rádio e de frevo.

O homenageado – Nascido em Paranaguá, em 1929, Waltel Branco iniciou-se na música aos 12 anos de idade. Teve mestres como Bento Mossurunga, padre Penalva, Jorge Koshag, Stanley Wilson e Alceo Bocchino. No Seminário Franciscano, aprendeu a tocar órgão e harpa. Em 1949, um ano antes de ser ordenado padre, deixou o seminário e seguiu para Cuba, acompanhando a cantora Lia Ray como arranjador, diretor musical e violonista.

Naquele País, teve a oportunidade de tocar com Perez Prado, Mongo Santamaria e Chico O?Farrel. Em 1950, mudou-se para os Estados Unidos, quando estudou música incidental com o maestro Stanley Wilson. Fez várias apresentações em Nova York e gravou com Franco Rosolino, Charles Mariano, Sam Noto, Mel Lewis e Max Bennet.

Waltel demonstrou seu talento em espetáculos no exterior, apresentando-se em Cuba, França, Espanha e Itália, onde foi regente da Orquestra Jovem Santa Cecília. No seu currículo, constam também a produção e direção musical de LPs de Johnny Mathis e Freddie Cole, irmão de Nat King Cole. O músico participou de turnês com artistas internacionais, entre eles Dizzy Gillespie, Freddy Cole e Johnny Mathis. Com a inauguração da TV Globo, em 1965, Waltel tornou-se o diretor responsável pelas trilhas sonoras de várias novelas.